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 Saga secundária: THE ORPHANAGE - TENTANDO SOBREVIVER

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Azrael_I
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MensagemAssunto: Re: Saga secundária: THE ORPHANAGE - TENTANDO SOBREVIVER   Sex Jan 23, 2015 4:23 am

OFF: Primeiro post de Eduardo Azrael no ano! Ainda que seja um post do Super-Seven...

ON: KA-BUM!!

*A batalha contra os youkais continuava. Devastei um batalhão imenso deles só com os movimentos da minha capa. Os youkais não conseguiram chegar perto de mim nem uma vez sequer, mas principalmente, não chegaram nem perto do Orfanato; tentr passar por mim era como bater de cara numa parede de grafeno. Três youkais que manipulavam chamas dispararam contra mim um turbilhão imenso de fogo, suficiente para incendiar uma floresta, mas girei minha capa como um ventilador e dissipei o fogo; em seguida, dois youkais manipuladores de frio tentaram me congelar resfriando o ar à minha volta, à temperatura do zero absoluto, mas para espanto deles eu parecia não sentir absolutamente nada; foi então que quatro youkais manipuladores de eletricidade me cercaram e me dispararam, de todos os lados, um raio de mais de um milhão de volts, mas desta vez eu nem me mexi já que, por não estar aterrado, a eletricidade não fazia nem cócegas; por fim, dois youkais gigantescos feitos de rocha tentaram me acertar, mas acertei seus braços com minha capa, um golpe em cada braço foi o sufiente para despedaçar os dois imensos golens. Nenhum ataque, físico, elemental, psíquico ou de energia, parecia ser capaz de me machucar, mesmo com os youkais me atacando em massa. Aquilo estava começando a me aborrecer, e derrubei todos eles com apenas um movimento da minha capa. E tudo isso eu fiz sem descruzar os braços...*

Super-Seven (bocejando): Que tédio. Quando vi a quantidade de vocês, achei sinceramente que iam me oferecer algum desafio, mas acabar com vocês é mais fácil do que usar um lança-chamas num monte de moscas. Pelo amor de Deus, vou ter que deixar que vocês me acertem? Ah é, nem isso adianta, né...

*De repente, um dos youkais com forma quase humana agarra a ponta da minha capa, em pleno ar.*

youkai: Hahahah! Eu consegui! Peguei sua arma! Quero ver você agor... HÃ?!?! I-isso... isso é impossível...!!!! D...do que é feita essa coisa...??
Super-Seven: Parabéns por ter conseguido segurar minha capa. Pelo visto você é centenas de vezes mais habilidoso que os demais. Agora, você acha que aguenta o PESO dela?

*Eu não fiz nenhum movimento, apenas deixei que a gravidade atuasse, fazendo minha capa parar de balançar. O youkai havia apenas segurado um pequeno pedaço de alguns centímetros da ponta da capa, mas ele sentiu como se segurasse o peso de uma MONTANHA inteira; submetido a tamanho peso repentinamente, o resultado não podia ser mais imediato: o braço dele foi arrancado. Enquanto ele gritava e seu sangue jorrava, eu movimentei a capa novamente e arranquei sua cabeça. Os demais pararam de avançar.*

Super-Seven: Será que entenderam agora? Vocês não têm como me vencer, ainda mais com esses corpos feitos de cadáveres. Sim, eu sei que seus corpos materiais não passam de carcaças de animais, humanos e outros materiais que seus corpos espirituais animaram para este ataque, e que não estou realmente matando vocês, só destruindo marionetes feitas de carne e outras coisas. Mas como vocês viram quando bani um de seus comandantes, eu posso machucar seriamente seus corpos espirituais se eu quiser.

*Os youkais e os demonios que os comandavam me olharam estupefatos, por eu ter notado tudo aquilo, e pior, por eu saber tanta coisa sobre eles. Um dos demonios tomou coragem e se adiantou aos demais.*

demonio: Afinal... quem é você, humano?!
Super-Seven (estufando o peito): Levem este recado a todo o Submundo, quando voltarem para lá... Eu sou o protetor da raça humana, o campeão da Terra... eu sou o SUUUUPER-SEVEN!

*Faço uma pose ainda mais ridícula que as outras, mas apesar disso, desta vez eles não sentem vontade de rir. Estavam zangados e constrangidos demais para isso. Eu notei naquele instante que Sayuri havia sido levada para debaixo da terra enquanto a miasma venenosa cobria o monte; ao mesmo tempo, Iori chegava ao monte, sme poder se aproximar da entrada por causa da miasma, e um par de asas surgia nas costas do Squall, juntamente com uma barreira à minha volta, e também dos outros dois. Eu já estava prestes a acabar de vez com aquela luta, quando de repente vejo que os demonios e os youkais ficaram estáticos; um monte de youkais saíram voando da montanha, como se fossem mísseis, sendo que três deles vem na minha direção. Eu resolvo deixar que os youkais-míssil me atinjam, para ver a resistência da barreira de Squall, mas então algo inacreditável acontece: quando os youkais tocam na barreira, ela os repele para longe, sem que eles explodam; eles saem voando descontrolados e, embora dois deles consigam recuperar o controle, um deles atinge o chão, longe do Orfanato, mas sua explosão é tão grande que gera uma onda de choque por quilômetros; a explosão não me afeta, mas devasta uma parte da cidade, causando acidentes e fazendo até um ônibus capotar. Pela primeira vez naquele dia eu me surpreendo com o poder de meus oponentes... e com sua crueldade também, uma vez que, para gerar uma explosão daquelas, era necessário sacrificar de verdade a vida daqueles youkais.*

Super-Seven: Oh meu Deus...! Se apenas um daqueles youkais explodindo causou essa destruição toda... Eu não posso deixar que todos eles explodam tão próximos do chão, talvez a cidade inteira seja destruída! Preciso fazer alguma coisa!

*Eu noto que os youkais-mísseis só estão tentando atacar a mim, Squall e Iori, mas graças à barreira de Squall, que foi criada para poder repelir a miasma venenosa, os Youkais não nos atingiam. A barreira de Squall reagia repelindo o mal, pelo visto, e por isso os youkais eram repelidos sem explodir, não era como se fosse um campo de força. Os demonios estavam parados, com as mãos/garras entrelaçadas, e noto que eles é quem estavam comandando os youkais mísseis. Eu poderia facilmente acabar com todos eles, mas isso poderia fazer os youkais-mísseis se descontrolarem de vez e explodirem aleatoriamente, podendo atingir as casas, as pessoas... eu noto que, de um jeito ou de outro, os youkais iram morrer e vejo que não tenho escolha. Toco na barreira de Squall que me protegia e ela se desfaz. Em seguida, desapareço e apareço no meio dos demonios comandantes (eram oito) e resolvo sacanear eles pra valer: puxo a cauda de um deles, chuto a bunda de dois, faço um cotonete molhado em outros dois (enfio os dedos na boca e depois na orelha deles), faço um "Ei Moe" em outro (enfio os dedos nos olhos dele, sem furar) e por último agarro as línguas compridas dos dois últimos e amarro elas. Antes que eles possam reagir, voo pra longe, ainda à vista deles, baixo as calças e mostro a bunda pra eles enquanto os dois se desenroscavam.*

Super-Seven: Aqui pra vocês ó, seus bobões chifrudos... duvido que me atinjam com seus youkais teleguiados. _|_ _|_


*Termino mostrando o dedo médio das duas mãos pra eles. A reação deles não podia ser mais imediata: furiosos com as minhas brincadeiras, com as minhas atitudes e principalmente com o fato de eu ter feito aquele estrago todo no seu exército, os demonios mandam que TODOS os youkais, mesmo os que estavam parados e os que iam atacar Squall e Iori, venham me atacar como mísseis. Eu sorrio enquanto levanto a calça e decolo voando para cima, com os monstros bomba atrás de mim. De toda a cidade e boa parte daquela ilha do Japão é possível ver um raio dourado luminoso subir, sendo seguido por diversos raios escuros como se fossem uma fumaça atrás de um cometa. Subo com os Youkais até a estratosfera, quando estamos quase saindo de órbita eu de repente páro no ar e deixo que eles me atinjam. A explosão de todos aqueles youkais é tão grande quanto uma bomba de Hidrogênio. Do Japão inteiro é possível ver aquela imensa explosão, que se fosse mais próxima da terra, destruiria uma cidade do tamanho de Tóquio. Do Orfanato, as crianças e as mikos olharam assustadas a explosão.*



Daian: Super-Seven! Não!
Arisa: Eu não acredito... como ele pôde fazer uma coisa dessas?!
Shizaki: Para salvar o Orfanato... e a cidade...

*Os demonios gargalham, satisfeitos por terem finalmente acabado comigo. As crianças começam a chorar, quando de repente Daian aponta para o céu, onde um raio dourado vinha em direção à Terra.*

Mila: É um pássaro?
Kenta: É um avião?
Shizaki: É um fragmento da explosão?
Arisa: É um penico que caiu de um avião após a explosão?
Daian (chutando de novo a Arisa): Não! É o SUPER-SEVEN!!!

*Surjo em alta velocidade de novo no meio dos demonios, que me olham apalermados. A explosão sequer rasgou minha roupa, apenas deixou um pouco preta a ponta da minha capa. Eu tinha um olhar BEM zangado*

Super-Seven: Agora chega... vocês conseguiram me deixar nervoso de verdade, desta vez... TÊM IDEIA DE COMO É DIFÍCIL LIMPAR ESSA ROUPA?!?



*Todo mundo no Orfanato e até os demonios caem pra trás ao ouvirem isso, mas eu mostro minha mão fechada para os oito chifrudos.* Rolling Eyes

Super-Seven: Sabem o que eu tenho aqui? Parte das ondas de choque que sobraram da explosão. Será que vocês aguentam?



*Os demônios se assustam e tentam fugir, mas eu abro a mão e seus corpos físicos são desintegrados pela explosão (que apesar de forte, só afeta a área em que os oito estão), banindo-os de novo para o Além; a luz e a fumaça diminuem, e estou sozinho agora no centro da explosão. Limpo as mãos, agora que todos os inimigos se foram, e voo até a montanha, do lado de Iori e Squall (que aparentemente não haviam saído do lugar desde que chegaram lá, por causa da miasma e do ataque dos youkais-bomba) e também vejo dois rapazes que haviam se salvado do ônibus se aproximarem; eu não havia feito nada pra ajudar os carros afetados pelas explosões porque notei que, apesar de tudo, ninguém havia ficado preso e eu precisava deter as explosões antes que mais acidentes acontecessem e pessoas morressem. Todos vemos então Azuya e o que restou de seus youkais partirem voando, eles já bem longe, há quilômetros dali e eu percebo que acabou; para surpresa dos outros, não faço nada para impedí-la, é melhor que ela vá embora por enquanto.*

Super-Seven: Se quiserem ir atrás dela podem ir, não vou impedí-los... Mas acho que já tivemos luta e destruição suficiente por enquanto. É melhor cuidarmos de Sayuri antes de qualquer coisa. Se afastem um pouco, por favor.

*Eu inspiro fundo, puxando a miasma que cobria a montanha, até que a nuvem inteira entra na minha boca... e eu cuspo fora uma bola preta de miasma concentrada. Todos vemos finalmente Sayuri, do lado de fora da caverna, assustada e com lágrimas nos olhos.*

Sayuri: Meu Deus, perdoai meus pecados... Por favor...

*Eu me aproximo dela e falo*

Super-Seven: Ele não pode perdoá-la, pequena Sayuri...

*De repente ela sente eu abraçá-la. Tomo cuidado para que meu peso não a machuque, mas a abraço com força o bastante para tentar consolá-la.*

Super-Seven: ...Simplesmente porque não há o que perdoar. Você é inocente. Mesmo que você tenha feito algo em alguma vida passada, nada disso importa, você é Sayuri Kaname, uma menina boa e inocente, que não merece passar por nada disso.


*Do alto, Azuya nos observa a todos, espantada com as asas de Squall, com a estranha presença de Jiro e de não notar nada de diferente em mim.*


Azuya (pensando): Que grupo mais inesperado... Será que aquele ali é um Anjo ou um descendente de um...? E aquele humano fantasiado, quem ele pensa que é para nos humilhar desta forma? Talvez eu devesse...


*É então que, num relance, eu olho nos olhos de Azuya, e ela pela primeira vez sente medo ao me ver, um pavor tão grande que quase a faz cair, mas em vez disso ela voa o mais rápido que pode.*



Azuya: Será possível...? O que ELE está fazendo aqui?!


*Os lábios de Azuya se movem. Nenhum som sai de sua boca, embora ela tenha querido dizer um nome... o meu nome.*

Azuya: ...-sama...

*Azuya afasta esse pensamento da cabeça. Era impossível que eu fosse quem ela achasse (embora ela estivesse certa)... e resolve voltar para seu covil, para reportar a Azazel o que havia acontecido ali. Menos quem ela achava que eu era, claro. Enquanto isso, ainda abraçando Sayuri, eu ainda estou olhando para o vazio; naquela hora eu não olhei para Azuya, e sim para o próprio Azazel.*

Suyper-Seven (Pensando): Eu sei que você está me vendo, através dos olhos dela... e que talvez você até já saiba quem eu sou, apesar dos poderes da minha roupa. Pois pode esperar, que um dia eu vou atrás de você e, por Deus, vou fazer você pagar por tudo que já fez... e ainda fará.

*Eu finalmente solto Sayuri e olho desta vez nos olhos dela, mas não com um olhar assustador, apenas olhar calmo, tranquilo e carinhoso.*

Super-Seven: Sayuri-chan, eu sei que você não está bem, e deve ter passado um terror, mas não deixe que ela lhe confunda... nunca se esqueça de quem você é. Eu preciso que você diga tudo o que aconteceu... e não se preocupe, tem a minha palavra que irei fazer tudo para te proteger. Deus não se esquece de nenhum de nós...


*Fico olhando-a nos olhos, com toda a sinceridade. Pela primeira vez naquele dia, desde que virei o Super-Seven, eu não fiz uma piada ou gracinha. Eu não menti dizendo aquelas palavras, eu só esperava que realmente pudesse protegê-la quando fosse necessário.*


Continuem...

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"Queira o melhor... mas prepare-se para o pior do pior."

"Que Deus tenha piedade da sua alma... pois eu não terei!!!"
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Kaname Sayuri

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MensagemAssunto: Re: Saga secundária: THE ORPHANAGE - TENTANDO SOBREVIVER   Dom Jan 25, 2015 10:08 pm

Finalmente o post mais aguardado. Por favor escutem as músicas todas!
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Eu aceito a minha verdade...
Sacrifício?

Dispare o video aqui.

Um quase holocausto, as custas de quê? Todo aquele sentimento confuso se passava em sua mente, enquanto aqueles guerreiros lutavam para lhe salvar, mas, porquê?
Não há nada mais a ser feito...
O meu tempo de recomeçar, fora apenas uma ilusão...
Por que eu tive que passar por tudo isso?
Eu queria apenas viver tranquilamente, mas, eu tive que passar por tantas provações, meus poderes não são uma bênção, são uma desgraça...
Enquanto eu viver, vou dar motivos para aquela pessoa me odiar ainda mais... (Shizaki)
Eu não quero fazer ninguém sofrer por minha causa, eu já nem sei mais o meu significado...
As pessoas me olham como se eu fosse um ser de outro mundo, e essa Azuya me faz querer pensar desta forma...
Em breve eu deixarei de ser eu mesma?
Em breve eu vou morrer?
O que eu deixei tanto pendente neste mundo?
O que eu fiz no passado?
Por favor Deus me diga!
Eu não quero deixar de ser quem eu sou, mas, eu tenho medo...
Eu vou ser um monstro em breve... Um monstro... Um...


Ela se afastou de super-seven. Mesmo que as palavras dele tenham sido reconfortantes, não havia mais saída.

- Acabou... - Ela olha nos olhos dele e diz. - Eu não tenho como fugir mais... Eu... Não posso...



- Não há... Mais nada que alguém possa fazer... - Ela cai de joelhos chorando.

Em sua mente Azuya fala: - Vou lhe dar uma semana! Enquanto isso, espere os meus comandos, meu mestre ainda quer lhe pedir um imenso favor. Mas, ainda não tenho nenhuma informação... Até o fim de semana aguarde novidades. E não se afaste daqui!


- SAI DA MINHA CABEÇAAAAAAAAAAAAAAAA! - Ela desmaia.

Termina aqui a música/video.

Aqui começa o outro.

Sayuri se sentia embalada por alguma coisa ou alguém, um sonho de sua infância de repente retornara em sua mente. Um sonho de criança, sendo amada e respeitada por todos, até mesmo antes de descobrir seus poderes.

As crianças corriam alegres pelo orfanato, brincavam de ciranda e ela sempre sorria para aquela que sempre fora sua "tutora" Shizaki. Ela sempre a admirou, sempre foi como sua mãe, brincando e educando-a pacientemente. As histórias que ela contava as meninas antes de dormir, era um sonho de contos de fadas, ela se sentia uma princesa e sua "mãe" como uma rainha. Shizaki sempre cuidou de Sayuri diferenciando das demais, e isso a fazia se sentir especial.

Chovia repentinamente, enquanto Sayuri era carregada por alguém de volta ao orfanato.

Sayuri uma vez tivera um pesadelo, e com seus dois anos de idade correra para o quarto de Shizuka, pulou em sua cama aos prantos enquanto sorrindo a sacerdotisa lhe dava espaço em sua cama de solteiro abrigando aquela pequena menina aninhando-a em seu colo.




Fora daquele sonho, Shizuka estava aguardando o retorno de Sayuri, um tanto conformada com a situação que já havia previsto há muito tempo, sem que ninguém percebesse, ela se deixava levar pelas lembranças daquela que um dia fora "sua criança", em meio as lembranças de seus tombos infantis, e seus sorrisos sem dentes, suja e maltrapilha, Shizaki ria sozinha, ao mesmo que chorava em meio a tempestade.

- Por que o destino foi nos levar a caminhos diferentes Sayuri...?

Shizaki não se conformava, ela via a garota retornar nos braços de um dos guerreiros... (off: Se decidam quem a leva de volta!) Ela olhava a jovem, a preocupação com a mesma, era discreta, não se deixava abalar pela situação do momento, mesmo que a chuva aos poucos parasse até chegar ao fim, ela se recompunha e observa a jovem cada vez mais perto.



Termina o música/video aqui.

Seus cabelos se soltam com o vento, e depois de ter lutado junto com aqueles bravos homens, se põe diante deles levemente curvada.

- Me perdoem pelo caos que a situação se tornou, agora vejo o motivo de que cada um esteja neste lugar. - Ela se põe ereta novamente, se aproxima de Sayuri desmaiada e toca-lhe a face. Por favor, me acompanhem...

Sayuri fora deixada em seu quarto no imenso orfanato, Shizaki ordenara as outras Mikos que levassem as crianças para os quartos enquanto ela guiava os heróis a sala de estar principal. Algumas servas ofereciam toalhas para eles e um chá quente fora servido. A casa era estilo oriental, e bem comum era sentar ao chão em cima de almofadas enquanto se conversava diante de uma pequena mesa central.

Shizaki levemente girava a xícara a sua frente, e bebia um gole delicadamente. Ela sorri de leve, e começa a falar.

- Ela sempre fora uma criança de bom coração, isso não nego. - Seus olhos cintilavam, como se uma dor e ao mesmo tempo uma angústia a preocupasse. - Eu sempre soube da verdade em que Sayuri se encontrava, só não esperava que fosse tão cedo que essa hora chegasse. Eu sinto muito por tentar afastá-los... Mas, não podia crer que a situação dela havia sido encaminhada a outros "sábios".

Ela novamente olha nos olhos de todos.

- Espero que entendam, o que eu estive a fazer fora tentar usar ao máximo o seu poder para expurgar a dor dela, mas, com isso acabei piorando a sua situação, e chamando mais ainda a atenção. - Ela abaixa a cabeça olhando a xícara e solta um suspiro. - Eu tenho vergonha do que fiz... Eu acabei a condenando... Mais, rapidamente do que esperado. A situação dela, é complicada demais para que vocês entendam... Antes de vocês chegarem, eu encontrei com aquele ser encapuzado... Ele me pediu que dissesse a vocês que a missão dela já começou... Ele disse que vocês teriam que encontrar um meio para que a impedissem de se entregar as trevas de Azazel, mesmo que fosse impossível... Ele falou o seu nome... Era algo... Como... Uriel... - Ela deixa a xícara sob a mesa e se levanta. - Sayuri é uma boa menina... Tudo que tentei fazer fora protegê-la de si mesma... - Ela lacrimeja. - Agora... - Limpa as lágrimas. - Vocês serão acompanhados pelas outras mikos para seus respectivos quartos, a janta será entregue individualmente a cada um. Descansem... Se assim desejarem, continuem por aqui...

Enquanto isso no quarto de Sayuri, ela ainda dormia, embalada por uma melodia triste e cheia de dor.


Começa aqui.

Algumas imagens lhe foram aparecendo em sua mente, mas a mais assustadora fora essa.


Fora do sonho, uma neblina começa a surgir em seu quarto, Sayuri começa a se contorcer por medo, ela se agita até que começa a mormurar.

- Não...
- Sai daqui!...
- Por favor, não machuque...
- Não... Não faça isso...
- Por quê?
- O que tá acontecendo? Que mundo é esse?
- Tá muito escuro...

De repente seu corpo, estava cercado de espíritos negros, lhe dando ordens para MATAR.

- Não quero...
- Saiam!

Ela começa a elevar a voz.

- POR FAVOR...
- SAIAM DA MINHA CASA...
...
...
...
...
...
...
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...
...
...
...
...
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...
...
...
...
...
- ME DEIXEM EM PAZ!

Termina a música/video aqui.


OFF: O começo da aventura começa a partir desta música.

Ainda não acabou, este post terá uma continuação pior, depois dos seus...
Até breve.

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Harima Kenji
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MensagemAssunto: Re: Saga secundária: THE ORPHANAGE - TENTANDO SOBREVIVER   Seg Fev 02, 2015 2:31 pm

**OFF: depois de um tempo, cá estou! Não vou mentir, demorei pra lembrar de tudo o que aconteceu e assim poder mover o Iori de maneira plausível Very Happy **

** Iori fora protegido por uma barreira e quando ia atacar os youkais que levavam Kaname, todos eles seguiram caminhos contrários, indo a um local e causando uma explosão enorme **

Iori: mas o que?! Esse Super-Seven é louco? Que desgraça! Já não basta aqueles malucos(quem será? referência a aventura dos anjos Very Happy) que moram no outro lado do Japão e fizeram uma confusão a alguns anos, agora isso?

** Iori corre e se esconde do vento causado pela explosão, tendo a calmaria, ele corre até a entrada de uma caverna, onde Super-Seven estava com Kaname e abraçado a ela, no alto estava Azuya, como sabia disso? gravuras do meu templo vizinho já a retratavam, mas ela parecia assustada, e Super Seven estava com um olhar finalmente heróico, botando a maior banca pra cima da louquinha voadora, então ela(Azuya) se vai. **

Iori: Seven! ** corro em direção a eles ** Não será útil pra vocês, caso algo mais aconteça, ter que cuidar dela e de vocês, afinal, eu 'acho' que sou o normal por aqui e temos que levá-la ao templo, e eu posso carregá-la enquanto vocês me dão cobertura montanha abaixo, o que diz?

Seven: Não é uma má ideia. Ok. ** usei o seven apenas para poder confirmar a lógica **

** OFF: Não citei Squall na conversa pq não sei se ele foi. **

** Coloco Kaname em meu colo e sigo caminho montanha abaixo, foi uma descida tranquila até o templo. Ao chegar, uma jovem nos recebe e agradece, além de dizer que agora entende o motivo de estarmos ali, bem, o meu acho que é carregar os feridos de volta, pois foi só o que fiz, ainda acho q o mestre se enganou e me mandar aqui. Depois de ela estar estar em seu quarto e eu gentilmente poder me hospedar ali por um tempo, percebi que Squall e Seven eram muito mais poderosos, e eles sozinhos poderiam dar conta, fui vasculhar alguns de meus pertences pra se dava pra comprar comida e ir embora, e então algo cai, um pequeno envelope, lacrado e com o símbolo do templo Toushou. **

Iori: ara, o que é isso? não coloquei isso em minha bolsa...

** Abro o envelope, o papel que estava dentro não era muito grande, mas com certeza seu conteúdo fora escrito meticulosamente, dado o cuidado com a grafia e o respeito na terminologia empregada, extremamente formal, como se eu fosse um grande sacerdote ou autoridade do templo, então leio a carta. **

**
Iori.

Você nunca reprovou no exame do templo. Você nunca foi um desleixado, ou mesmo um mendigo, por mais que a sua vida o fizesse pensar assim.

Eu, Hoshigi, estudei e me criei junto com seu Pai, e juntos vimos o enorme harakiri que aconteceu aqui, e nada pudemos fazer, a não ser interceder por essas almas, seu Pai não ficou aqui para sempre, ele casou-se com uma mulher que nunca conheci, mas que ele me descreveu como alguém que tinha o poder de purificar o mal, mas infelizmente você não herdou este poder.

Isso não torna sua família menos importante. Seu pai ficou famoso por ter contido inúmeros espíritos, e depois ter selado todos eles dentro de uma forma orgânica, uma rocha para ser mais exato, que fica no extremo norte do Japão, por isso ainda é proibido chegar lá, pois é morte certa.

Você sempre se queixou de não ter dons, e não se tocou do que já tem. Iori, você tem o dom de afastar/repelir espíritos, é como uma camuflagem ou uma roupa stealth para quem está próximo a você, e aos próximos uma garantia de bem estar mesmo que momentânea, por isso ninguém se suicidou na floresta enquanto você morava lá, você se achava um mendigo, mas era o protetor da floresta, um monge do templo!

Mas tome cuidado, existem pessoas com o dom contrário de atrair espíritos, sejam eles bons ou maus, e apenas você poderá protegê-los de si mesmos, trabalhe seu dom, e descubra seus outros dons, pois com certeza aparecerão. Deixe seus pais orgulhosos. Pois eu já me orgulho de você.

Não deixe seu sobrenome te enganar, Satsui (Vontade de Matar), você é muito mais do que pensa que é.

Hoshigi.
**


** Um grito surge, e Iori se toca de tudo que acontecera **

Kaname: Me deixem em paz!

Iori: Kaname-san!

** Corro até o quarto dela, que era o mais próximo, mas não sem antes gritar. **

Iori: Squall! Seven! Ajuda!

** Abro a porta e... **

** A partir dai é com vocês! **
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Khronos Squall

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MensagemAssunto: Re: Saga secundária: THE ORPHANAGE - TENTANDO SOBREVIVER   Seg Mar 30, 2015 12:57 am

-Fallen angel-




Squall consegue se livrar de todos os youkais que estavam lhe atrapalhando em seu caminho usando sua espada e seu poder do arco divino, destruindo todos em sua volta enquanto voava. Saindo do campo de batalha, ele voa mais um pouco a frente encontrando Iori e Super Seven saindo de uma caverna.

" - Ainda bem que estão bem... - " Pensa ele enquanto seguia e ouvia a estratégia de Iori.

Seguindo-os até o templo, ele pousa suavemente sobre a terra verde batendo levemente as suas asas e logo se dirige ao quarto aonde Sayuri foi levada para o seu repouso. Lentamente, ele pega uma das mãos dela e então se ajoelha ao lado da cama enquanto olhava para a face pálida de Sayuri.

- O destino está sendo cruel contigo... - Disse ele enquanto apertava levemente a mão dela e o levava sobre o seu peito. - Mas estou aqui para aliviar a sua dor... Sayuri.

Um pouco cansado, ele leva a mão dela aonde ela deixara e então com passos suaves, voltava para o seu quarto, deixando-a descansar.
Algum tempo se passa, Squall já havia descansado o suficiente, então ele resolve se levantar e dar uma passada no quarto de Sayuri para ver como ela estava. Saindo de seu quarto, ele ouve um grito estrondoso saindo do quarto da mesma.

" - ME DEIXEM EM PAZ ! "

Rapidamente ele corre em direção ao quarto, avista Iori parado em frente e com rapidez entra no local. Ele se depara com uma neblina negra no qual dominava quase todo o quarto, um sentimento começa a invadir o seu peito enquanto observava Sayuri sofrendo em sua cama.

- DEIXEM ELA EM PAAAAAAAAAAAAAAZ ! - Ele grita com toda a sua força liberando uma luz intensa de seu corpo, afastando a neblina do local.

Sem pensar duas vezes, ele corre em direção a ela e então a abraça com força enquanto suas asas fazia o mesmo enquanto eram liberadas de suas costas .




- Você não está sozinha Sayuri... Estou aqui para aliviar suas dores... por mais que meus poderes n sejam o suficiente pra isso... - Ele dizia baixinho enquanto a abraçava - Tudo isso não será em vão... - Ela podia sentir um calor sobre o corpo dela, um conforto e uma paz.

Após passar a tempestade, Squall a liberta de suas asas e então, a pousa lentamente sobre a cama novamente, deixando-a descansar enquanto a calma e o silencio tomava o local. Olhando para Iori, ele faz um positivo com o polegar meio envergonhado e então recolhe as suas asas.

- Er... foi apenas... preocupação... - ele ri enquanto puxava dois bancos para sentarem. - Vou ficar um pouco aqui, ja descansei o suficiente para isso, se quiser, pode ir descansar, sua coragem e sua força para traze-lá para cá foi admirável... Parabéns . - Ele dizia enquanto estendia a sua mão para cumprimenta-lo .
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Hans

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MensagemAssunto: Re: Saga secundária: THE ORPHANAGE - TENTANDO SOBREVIVER   Dom Set 25, 2016 1:06 am

HANS

Ele ouviu o tilintar de xícaras e pires, quando a jovem sacerdotisa entrou novamente na sala comum do templo, trazendo a bandeja de chá.

- Desculpe a demora. E desculpe mais uma vez, não tenho cerveja para lhe oferecer. - disse Reimu Hakurei, colocando a bela e brilhante prancha de metal prateada sobre a modesta mesa de carvalho - Sei o quanto o seu povo gosta dessa bebida, mas o mais próximo disso que tenho aqui é este chá inglês. - sentou-se em seiza sobre uma almofada, do lado da mesa oposto ao dele, e começou a servir a bebida fumegante recém retirada do fogo.

- Eu gosto de chá inglês, fräulein Hakurei. - respondeu Hans, tentando ser o mais polido e simpático possível.

Era a sua primeira vez visitando o Japão. Tinha ouvido sua mãe falar sobre como os japoneses eram disciplinados, metódicos e cuidadosos com os pequenos detalhes de etiqueta, higiene e outros aspectos da vida cotidiana. Mas presenciá-los na prática era algo totalmente diferente. Já não sentia mais a dor nas pernas, sentado naquela posição estranha, sobre os calcanhares. Na realidade, já não sentia mais as pernas. Observou discretamente em volta, e não viu nenhuma cadeira. Nem faria sentido haver uma, concluiu logo após. Não poderia ser usada adequadamente em conjunto com aquela kotatsu.

Ao terminar de servir o chá para ambos, Reimu tomou sua xícara nas mãos. Hans imitou-a e balbuciou:

- Kam...

Os olhos castanho-avermelhados da garota apontaram para ele.

- Kam...Kampf...Aye. Kampf Aye. - gaguejou, convencido de que errara grotescamente. Seu japonês ainda estava muito longe de ser fluente.

- Kanpai. - corrigiu e acompanhou a miko, com a voz quase cedendo ao riso.

- Kan...Kanpai. Obrigado, senhorita. - bebeu seu chá em silêncio, enquanto a a moça fazia o mesmo.

O templo Hakurei era relativamente pequeno, para um templo japonês convencional. A sala de visitas refletia essa modéstia. As paredes eram enfeitadas por uns poucos objetos que se assemelhavam a pergaminhos desenrolados, pendurados nelas, exibindo inscrições que Hans não conseguia traduzir. No centro de uma das arestas da sala quadrada, uma pequena mesa sustentava um vasinho, dentro do qual dois palitos de incenso queimavam, aromatizando o ambiente. O centro do aposento era forrado por um tapete pouca coisa maior que o perímetro ocupado pela kotatsu retangular mais a meia dúzia de almofadas em volta, sobre ele. Os recém-conhecidos estavam sentados às extremidades opostas da mesa, ao comprido, à maior distância possível um do outro, apesar da mesa ser pequena, com capacidade máxima de seis pessoas, conforme Hans calculou. Um singelo lustre aceso acima de suas cabeças iluminava o local.

Entretanto, o detalhe que mais chamou a atenção de Hans foi o fato desse templo ser guardado e administrado por uma única pessoa. Havia se espantado quando Reimu dissera-lhe que morava sozinha ali, e que cuidava de tudo igualmente sozinha. Se, por um lado, isso justificava suas dimensões humildes (um templo pequeno é mais fácil de ser mantido por uma única pessoa), por outro lado, dava origem a uma série de outras questões, que Hans não se sentia confortável em abordar. Os assuntos e mistérios do santuário Hakurei não lhe diziam respeito, e a jovem senhorita já havia feito muito por ele, oferecendo-lhe hospitalidade.

Entre um gole de chá e outro, o rapaz alemão observava as vestimentas tradicionais da miko. Não devia ter mais de desesseis anos. Seu vestido, vermelho sobre branco, terminava em uma saia que permitia cobrir somente até pouco abaixo dos joelhos. As largas mangas de tecido branco que cobriam-lhe os braços pendiam toda vez que ela os levantava. O laço vermelho prendendo seu cabelo atrás da cabeça tinha aproximadamente o dobro do tamanho do seu companheiro amarelo preso ao peito, à frente do vestido. Fitas vermelhas adornavam duas mechas dos lisos cabelos castanhos compridos, uma de cada lado do rosto cor de leite. Estranhamente, os ombros estavam nus. Meias de lã brancas cobriam-lhe os pés sem calçados. Hans admirava o costume japonês de tirar os sapatos antes de entrar em casa.

Suas botas pretas de cano alto jaziam do lado de fora da porta principal. Sentira-se um intruso, com seu visual europeu, quando entrara naquele ambiente. Supunha ainda ter as pernas, abrigadas dentro das calças de algodão brancas. Cintos afivelados circundavam-lhe as coxas e joelhos, por sobre a calça, e o tórax, entre a camisa de algodão branca e a jaqueta de couro marrom-amarelada. Seu poncho encapuzado verde-escuro, repousava, dobrado, sobre a almofada a seu lado, abaixo da sua mochila de viagens. Seu cabelo negro, curto e crespo, brilhava suavemente, banhado à luz do lustre logo acima. Seus olhos verde-acinzentados por vezes pareciam distantes, ou mesmo mortos.

A anfitriã e o hóspede terminaram suas primeiras xícaras praticamente ao mesmo tempo, sem qualquer troca de palavras durante. Hans posicionou a elegante taça de porcelana novamente sobre o pires, com ambas as mãos cautelosas, para não fazer nenhum ruído deselegante.

- Este chá está delicioso, fräulein. Não sei como agradecer tamanha gentileza.

Com destreza suficiente em apenas uma mão, a jovem também descansou seu recipiente.

- Era o mínimo que eu poderia fazer depois de você ter me ajudado com aqueles youkais e demônios que vieram das imediações do templo Shizaki. Sem seu auxílio, não sei se teria conseguido sozinha, ou mesmo se estaria viva agora.

Ele baixou os olhos e fitou a xícara, sério e pensativo, enquanto Reimu servia a segunda rodada de chá inglês. A batalha havia acontecido haviam algumas horas, mas lembrava-se nitidamente de cada detalhe, como se tivesse acontecido minutos atrás. Estava no Japão há poucos dias, e já tinha passado por uma experiência com a qual muitos viajantes e turistas sequer poderiam sonhar.

O vento o trouxera até o sopé do monte que abrigava o diminuto santuário. Algum capricho de curiosidade qualquer o levara a querer subir a encosta e chegar ao cume, sem nem ao menos se dar ao trabalho de procurar o caminho pavimentado para esse fim, onde poderia encontrar uma escadaria bem posicionada para tornar a subida mais fácil, e postes de luz para iluminar o caminho. Preferiu aventurar-se adentrando a mata que envolvia o monte como um grande manto verde. Enquanto serpenteava através dos carvalhos e coníferas que por vezes faziam o céu noturno e estrelado desaparecer acima de sua cabeça, ruídos de explosões e guinchos de criaturas não-humanas assaltaram seus ouvidos. Percebera que uma batalha estava acontecendo próximo do local onde se encontrava, e seguira sua audição a fim de se aproximar e ver mais de perto o que acontecia. Subira e avançara mais alguns passos, até que os resquícios visuais da luta também se reveleram, no formato de clarões e fumaça subindo por entre as árvores, cada vez mais nítidos conforme se aproximava.

Temera pela vida da jovem garota que agora tomava chá com ele, quando a vira, cercada pelo mais abominável tipo de criaturas demoníacas que já tinha presenciado em vida. Cada vez que se lembrava das feições daqueles monstros, insistia em se questionar se realmente não estava sonhando.

Onze criaturas semelhantes a um javali bípede, com garras de caranguejo no lugar das patas dianteiras.
Sete mulheres vestidas com quimonos esfarrapados meio abertos, com os pés descalços, a pele cinza, os olhos cobertos pelos lisos e negros cabelos compridos, um seio à mostra e o maxilar faltando.
Quinze figuras medonhas que lembravam muito um espantalho, com seus corpos aparentemente feitos de palha em um formato que lembrava um guarda-chuva fechado, dois braços esguios e uma só perna, um único olho no centro do corpo e uma comprida e repugnante língua roxa que se movia de um lado para o outro, impossibilitada de ficar dentro da boca devido ao tamanho.
Entre vinte e vinte e cinco criaturas semelhantes a abelhas, mas do tamanho de um Grosser Münsterländer adulto, emitindo uma ensurdecedora sinfonia de zumbidos.

Ele estava convencido de que a fräulein seria morta, devorada, violentada ou uma combinação de todas essas coisas, pelas aberrações. Essa certeza caíra por terra quando a jovem, com um simples brandir veloz do que parecia ser uma pequena vareta de madeira com duas tiras de pano amarradas às pontas, fizera meia dúzia do grupo das abelhas mais quatro do grupo dos espantalhos simplesmente serem pulverizados e desaparecerem, como se fossem feitos de pó. Dois orbes com a forma do Yin-Yang surgiram de repente aos seus flancos, seguidos por um círculo de pequenos pedaços de papel circundando-a. Ao comando da miko, os pequenos projéteis voavam na direção dos monstros e explodiam ao toque, como granadas de mão.

Reimu Hakurei era uma sacerdotisa extremamente poderosa. Disso, Hans não tinha nenhuma dúvida. Sem seu auxílio, não sei se teria conseguido sozinha, ou mesmo se estaria viva agora. Essa resposta, ninguém tiraria de sua cabeça que foi pura cortesia humilde seguindo alguma norma do código de ética do povo que fica do lado onde nasce o Sol. Teria conseguido dar cabo de todas aquelas monstruosidades sozinha. Entretanto, por mais que ele tivesse essa certeza, ainda assim fizera questão de ajudá-la, saindo de seu esconderijo e usando sua habilidade especial para pulverizar mais uma dúzia de youkais, quando tivera a impressão de vê-los prestes a atacar a moça pelas costas, em um breve momento de guarda baixa. Após uma rápida troca de olhares e palavras, os dois estranhos tinham eliminado, juntos, a ameaça ainda mais estranha.

- Você realmente não é um mago? - perguntou-lhe Reimu, servindo-se de sua segunda xícara de chá inglês.

- Nicht. - sacudiu a cabeça - Apesar de minha família ser de magos, eu não estudei nem herdei os talentos e brasões inerentes ao sangue da linhagem. A técnica que você me viu utilizar durante a batalha contra os youkais é outro tipo de coisa. Algo, aparentemente, com o qual eu já nasci...- forçou a mudança de assunto, a fim de evitar ter que dar maiores detalhes - Inclusive, gostaria de lhe pedir desculpas, fräulein. -  pôs ambas as mãos na mesa e aproximou a testa da madeira.

- Pelo quê? - a jovem inclinou a cabeça para o lado.

- Esse tipo de técnica não é adequada para ser utilizada em um ambiente repleto de árvores em volta. Eu corri o risco de causar sérios danos a este local, que é sua casa.

A segunda xícara de chá inglês de Hans permanecia intocada. A miko sorriu.

- Está tudo bem. Acho que o mesmo pode ser dito dos meus selos explosivos. Se tivéssemos nos dado ao luxo de nos pouparmos naquele confronto de vida ou morte, talvez não estivéssemos aqui, bebendo este chá. Acredito que em toda batalha hajam riscos, incertezas, e decisões difíceis a tomar. Se isso faz você se sentir melhor, aceito suas desculpas.

- Danke schön! - ergueu a cabeça e finalmente se serviu de seu chá. Era como se ele estivesse bebendo a aquilo, ao seu pedido de desculpas ter sido aceito. Dessa vez, foi a garota quem conduziu a mudança de assunto.

- O quê o traz ao Japão, Einzbern-kun?

Hans repousou novamente a xícara antes de responder. A miko poderia facilmente ter interpretado que ele estava selecionando meticulosamente as palavras. Por fim, respondeu.

- Duas coisas, fräulein. Estou procurando uma pessoa. E fugindo dos Executores.

Reimu ficou em silêncio, olhando para ele. Seu sorriso se desfez e, pela primeira vez desde a batalha, as sobrancelhas castanhas estavam novamente apontadas para baixo. O semblante simpático e receptivo logo deu lugar à tensão e seriedade, como se o rosto da garota tivesse se transformado em pedra. Hans prosseguiu.

- A Igreja Católica me considera um herege vinculado à Associação de Magia, devido a esta minha habilidade, e acionou seus conhecidos agentes de campo, para me caçar.

É fato que o mundo da magia, tal como o conhecemos hoje, é refém de uma situação diplomática extremamente delicada entre duas instituições que não se dão lá tão bem, mas que atualmente estão em trégua: a Associação de Magia, entidade com sede na Torre do Relógio, em Londres, cuja função é promover e regulamentar o estudo e a prática da magia; e a Igreja Católica, sediada na cidade do Vaticano, que tem por objetivo converter as pessoas aos ensinamentos e à própria pessoa de Jesus Cristo, tendo em vista o Reino de Deus.

Os católicos permitem que os magos estudem e pratiquem suas doutrinas em paz, desde que seja obedecida a regra absoluta de que a magia jamais, em hipótese alguma, deve ser utilizada em público, aos olhos das pessoas inocentes. Qualquer mago que descumprir essa regra automaticamente perde a proteção e a guarda da Associação, e a Igreja tem total autonomia política, a partir de então, para neutralizar o "herege", a fim de proteger as pessoas comuns, utilizando-se dos meios que julgar necessários. Dependendo do nível de habilidade do mago infrator, eles precisam recorrer aos seus exterminadores especializados, os Executores.

Esse quadro, semelhante a um barril de pólvora com o pavio a dez centímetros de um braseiro ardente, certamente já era sabido por Reimu. A salvação de Hans era que, embora a Igreja tivesse autonomia política total para caçar os hereges, a autonomia geográfica já era outra história.

- Você pode ficar aqui, se quiser. - disse a miko.

Hans travou por alguns segundos, como se não tivesse conseguido traduzir em tempo hábil o japonês da jovem, e não tivesse compreendido a mensagem.

- Mein fräulein?

- Conheço a Igreja, e os seus Executores. Sei o que fazem. A verdade é que eles caçam qualquer mago, vinculado oficialmente à Associação ou não, que seja identificado ou reportado usando magia em público. Mesmo você não sendo propriamente um mago, a habilidade que demonstrou naquele momento é muito parecida com magia, uma semelhança capaz de confundir qualquer pessoa que não tenha um conhecimento aprofundado sobre o assunto. Como vê, eu própria lhe fiz a mesma pergunta duas vezes, uma vez durante a batalha, e a outra agora, para ter certeza. Eu acredito em você, mas o mesmo não poderá ser dito dos Executores. São guerreiros altamente treinados, conhecidos pela sua implacabilidade em cumprir as missões dadas pelos padres. Não cedem à dor, ao frio, à fome, à doença, e lutam até a morte, se for necessário. Também não são conhecidos por dialogar. Cumprem suas ordens sem questionar. Máquinas de combate extremamente letais, poderosas e frias como gelo. Qualquer pessoa com bom senso e amor à própria vida se esforçaria ao máximo para evitar algum conflito com um único deles.

Fez uma pausa para se permitir mais um gole de chá. Hans ponderou se, apesar dela estar dizendo isso, não seria ela própria uma das poucas pessoas que seriam capazes de derrotar um Executor, em um combate de um contra um. O poder que a miko demonstrou na batalha de algumas horas atrás, aliado ao fato de conseguir manter sozinha o templo Hakurei, convencia-o de que ela, tanto quanto os Executores, não era alguém a ser subestimado, apesar da idade, sexo e aparência inofensiva. A jovem continuou.

- Provavelmente, esse é um dos principais motivos que levaram minha amiga, Marisa Kirisame, a se isolar da civilização, na Floresta Encantada. Dessa forma, poderia estudar e treinar sem se preocupar com potenciais olhos curiosos que acabariam colocando os assassinos da Igreja em seu encalço. De uma forma ou de outra, os Executores não têm permissão para agir em território do templo Hakurei. Os sacerdotes, bispos, presbíteros e diáconos sabem disso. Você pode se abrigar aqui, como meu protegido e aliado do templo. Acredito que, fora isso e continuar fugindo, você não tenha muitas opções, correto?

Ela estava certa. Não traria benefício algum recorrer à Associação de Magia. Eles simplesmente diriam o óbvio, que Hans não tem nenhuma ligação com eles, e os Executores interpretariam isso como omissão, o que para eles seria indiferente, mesmo que os magos dissessem, com todas as letras, que o rapaz Einzbern, filho de uma família de magos, não é um mago. Sua habilidade, aos olhos dos católicos, é magia. Talvez até seja considerada algo maior que isso. Feitiçaria, o que só tornaria a caçada por ele ainda mais imperativa e urgente. Lutar contra os Executores também estava fora de questão. Seria o mesmo que uma única pessoa lutar contra toda a Igreja Católica. Isso partindo do pressuposto de que Hans conseguiria derrotar um único deles que fosse, o que seria muito difícil, para não dizer impossível. Somente uma pessoa, no mundo todo, seria ouvida pelos padres. E os padres, por sua vez, seriam ouvidos pelos Executores. Até que Hans encontrasse essa pessoa, toda e qualquer possibilidade de abrigo e proteção seria valiosíssima.

- Está correta, senhorita. - Hans baixou a cabeça, humildemente aceitando a oferta de Reimu. - ao menos temporariamente, me coloco aos cuidados e aos serviços do templo Hakurei. Espero ser um estorvo durante o mínimo tempo possível.

Reimu sorriu e ergueu a xícara.

- Então, está decidido. - soltou um risinho típico de uma garota da sua idade. Hans percebeu que ela mantinha no ar a mão que segurava o chá.

Ah, sim, está propondo um brinde a esta aliança. Imitou-a.

- Kanpai! - exclamou Reimu.

- Prost! - respondeu Hans.

As porcelanas tiniram, e os novos aliados beberam. Ao terminarem, ele sentiu os olhos de sua nova veterana em si.

- Acabei de me lembrar de uma coisa. Você pode começar a pagar pela estadia e proteção do tempo Hakurei me fazendo um favor.

- Pois não, sämpf aye?

- Senpai - abafou o riso - Por uma brincadeira sem graça do destino, ou não, recebi uma carta há alguns dias atrás.

Reimu tateou por baixo da kotatsu e puxou um pequeno envelope, de um branco ligeiramente amarelado, colocando-o à frente de Hans, para que ele o visse. O pequeno pedaço de papel envolto em uma fita preta continha um carimbo que a sacerdotisa disse não conhecer, tampouco ele.

- Pode abrir e ler a carta. - ela autorizou. Ele o fez.

De: Orfanato Hikari no Yume
Para: Reimu Hakurei

Gostaríamos que viesse ao nosso orfanato, coisas estranhas tem acontecido por aqui, e precisamos do seus serviços urgentemente, por favor, ao chegar, diriga-se ao templo e lá você ficará sabendo de tudo.

Agradecidos.


A breve mensagem terminava com uma assinatura que a miko também disse não conhecer. Hans ergueu os olhos da carta para a jovem, e ela compreendeu que ele havia finalizado a leitura.

- Nosso remetente misterioso utilizou um carimbo e assinatura que são estranhos para mim. Entretanto, o orfanato citado na carta não é estranho. Fica próximo do templo Shizaki, em Kyoto.

Hans arregalou os olhos.

- Templo Shizaki, você disse?

Reimu confirmou com a cabeça, vendo, nos olhos dele, que ele compreendera o significado daquilo.

- Isso mesmo. O mesmo lugar de onde vieram aqueles youkais. De início, pensei se tratar de um trote, ou mesmo uma armadilha. Shizaki-chan, uma das mikos que trabalham lá, que inclusive leva o nome do santuário, é uma amiga minha. Mas o carimbo e assinatura nebulosos na carta me deixaram com o pé atrás. Há pessoas mal intencionadas que gostariam muito que a única guardiã do santuário Hakurei se afastasse por algumas horas. Mas, depois daqueles demônios, tenho motivos para acreditar na legitimidade desta mensagem, e para acreditar que as duas coisas não são coincidência. Há algo acontecendo no local onde ficam o orfanato e o templo Shizaki, de modo que pediram o apoio do templo Hakurei. O surgimento daqueles youkais tem alguma relação com isso.

- Então a senhorita irá atender o chamado?

- É aí que está o problema. Por mais séria que seja a situação para as bandas de lá, como único membro do templo Hakurei, eu preciso permanecer aqui, para guardá-lo, e, principalmente, para proteger "a barreira". Essa tarefa se tornou ainda mais importante e delicada depois que Marisa e eu resolvemos o "Incidente da Névoa Vermelha".

Hans ficou perdido. Ela estava citando eventos e características inerentes ao templo que ele não compreendia.

- Barreira? Incidente da Névoa Vermelha?

- Os detalhes sobre essas coisas não vêm ao caso agora. A questão é, eu não posso me afastar daqui. Não no momento.

- Compreendo, senpai. Se houvesse qualquer maneira da senhorita prestar o seu suporte ao templo Shizaki sem ter que sair daqui, certamente iri...ah!

Então, Hans compreendeu o significado do sorriso maroto que Reimu lhe dirigia.

- Ich? - perguntou, apontando para o próprio rosto.

- Você, Einzbern-kun.  - ela respondeu, apontando para o mesmo lugar - Você irá ao templo Shizaki, como representante meu e do templo Hakurei. Levará esta carta, e uma segunda, de recomendação, que eu escreverei, com minha assinatura e meu selo, para as mikos saberem que você é meu aliado e, portanto, delas também. Depois de devidamente apresentado, se colocará à disposição das mikos e das crianças, para ajudar no que for necessário. Não se preocupe, no que tange ao problema dos Executores, o que vale para este templo, vale para aquele também, com a vantagem daquele ser maior e com mais sacerdotisas, que tomarão o seu partido se necessário. O que acha? Pode fazer isso por mim?

Ela sorria, inclinando a cabeça para o lado, esperando a resposta dele, cheia de expectativa. Por uma série de razões, era difícil dizer "não" a aquele olhar inocente e doce. Hans bem que achara estranho ela acolhê-lo tão facilmente no templo. Aparentemente, ela tinha tudo isso devidamente planejado, e "se lembrou da carta" em um momento muito oportuno, fazendo tudo parecer muito natural. Hakurei Reimu...uma sacerdotisa de 16 anos, assustadora de várias maneiras. Fosse como fosse, agora era meio tarde para pensar em recusar ou renegociar essa "missão", depois de ter se sentado à sua kotatsu, bebido de seu chá inglês e aceitado de tão bom grado o abrigo que ela lhe oferecera.

- Aye, mein fräulein. Será um prazer. - baixou a cabeça respeitosamente, ao que Reimu respondeu batendo as mãos uma na outra.

- Mesmo? Muito obrigado, Einzbern-kun. Estarei contando com você. Por favor, peça desculpas a Shizaki-chan por mim. Sei que ela irá compreen...

Ela interrompeu-se no meio da fala e ficou olhando para o vazio por alguns instantes.

- Reimu-senpai?

- Saqueadores. - disse, dando um suspiro fatigado. - fazia tempo que não davam as caras. Os youkais devem ter chamado a atenção deles. Acabaram de atravessar a camada mais exterior da barreira invisível que eu conjurei ao redor do monte. Eu senti a vibração. São três.

Hans ficou surpreso. Contrário às aparências, o santuário Hakurei era bem guardado e vigiado. O mesmo podia ser dito do monte, como um todo.

- E como a senhorita sabe que são saqueadores?

- É possível sentir as intenções e o caráter da pessoa que atravessa a barreira, pela intensidade e ritmo da vibração, no momento em que ela passa. A barreira sente os batimentos cardíacos, pulsos nervosos, respiração, fluxo sanguíneo e até características da aura da pessoa.

- De que lado eles vêm?

- Saindo do templo, virando-se na direção da Lua, 45 graus para leste. Aí, é só descer a encosta, e dará de cara com eles.

Ela levantou-se, pegando, de debaixo da mesa, a vareta de madeira com as duas tiras de pano amarradas, fazendo menção de ir interceptar os invasores. Hans percebeu que ela estava indo cumprir seu dever sem muita vontade de fazê-lo. Tomando uma decisão súbita, ele lutou para se reconcilicar com as próprias pernas dormentes, e ficou em pé rapidamente.

- Einzbern-kun? - Reimu olhou para ele, confusa.

- Por favor, permita-me cuidar deles, senpai. Preocupe-se apenas em providenciar os papéis para a minha visita ao templo Shizaki. Cuidarei deste assunto rapidamente. Deixe-me fazer isso por você, e pelo templo.

Sem dar-lhe tempo para responder qualquer coisa, fez uma reverência rígida, girou sobre os calcanhares e marchou na direção da porta de entrada. Mas, quando estava quase atravessando-a, parou e olhou por sobre o ombro.

- Algum problema se esses bandidos acabarem morrendo? - perguntou para Reimu, com a maior naturalidade, e a voz desprovida de qualquer emoção, como se estivesse perguntando se estava tudo bem em ele pendurar seu casaco na guarda de uma cadeira.

Ela olhou para ele por alguns instantes, até que fechou os olhos e suspirou.

- Esses homens já estão mortos por dentro mesmo. Não fará muita diferença, contanto que eles não se aproximem mais do templo. Talvez você acabe fazendo um favor a eles.

Ouvir isso foi mais que suficiente. Fez um leve aceno com a cabeça e prosseguiu seu caminho para fora.

Toda vez que a Lua saía de trás de uma cortina de nuvens passageiras, pálidas lanças de luz prateada se projetavam sobre as copas e troncos das árvores, dando a Hans uma breve ajuda na iluminação do trajeto. Quando os altos galhos e ramos se fechavam novamente por cima dele, e ele se via mais uma vez confinado em uma abóbada verde, privado da orientação de Tsuki-sama, usava seu dom, com receio e toda cautela do mundo, pelo tempo mais breve que fosse possível, para não ficar totalmente perdido nas trevas, que poderiam ser tanto suas aliadas quanto inimigas, na caçada que estava por vir. A jornada pela encosta do monte, muitas vezes de aspecto labiríntico, poderia ser uma experiência bastante desagradável a quem não tivesse um bom senso de direção. Hans considerou a possibilidade de muitos saqueadores já terem se perdido, morrido e apodrecido tentando chegar ao cume. Não fosse ter cruzado com Reimu, que provavelmente conhecia o caminho como a palma de sua mão, talvez tivesse passado por maus bocados também. A ousadia também podia ser uma hündin às vezes.

Desceu algumas dezenas de metros, serpenteando através das árvores, seguindo a direção que a miko dera, baseando-se na Lua sempre que possível, até ver-se em uma pequena clareira, onde deu de cara com as 3 figuras mal intencionadas, que subiam praticamente no sentido oposto ao dele.

Três homens com roupas sujas e encardidas, cheirando a suor, álcool e sangue, com olhares carregados de malícia e sorrisos repugnantes. A escória da escória.

Um deles era baixo e roliço, com a pele de cor parda e a cabeça calva cintilando em prata graças à Lua, portando uma clave tosca feita do que parecia ser carvalho e pontas de pregos projetadas para fora.
Outro era alto e magricelo, branco como um cadáver, com o cabelo negro e curto todo desgrenhado, segurando uma foice em uma mão e, girando na outra, a terminação da corrente que saía do cabo dela. Onde deveriam haver dois de seus dentes da frente superiores, havia somente escuridão.
O último, no meio e à frente, aparentemente o líder, tinha um porte atlético, cabelo castanho comprido caindo até a cintura, e segurava uma gadanha repousada sobre os ombros. Seu olho direito estava coberto por uma faixa branca encardida, e a pele amarelada brilhava à luz da Lua.

- Guten Nacht. - disse Hans polidamente aos três intrusos - Qual o assunto dos senhores com o templo Hakurei?

- Vá se foder, gaijin. - exclamou o líder de cabelos longos - volte para a sua terra e não se meta no nosso caminho. Queremos a ojou-chan que mora lá em cima - usou a gadanha para apontar na direção onde ficava o topo do monte - e o dinheiro que ela recebe das doações para o seu pequeno templo.

- Dezesseis aninhos. Talvez quinze - prosseguiu o homem gordo - e uma sacerdotisa. Certamente donzela. Brincaremos com ela até ficarmos satisfeitos - passou a língua nos lábios - e, em seguida, a mataremos e ficaremos com seu ouro e seu templo.

Hans franziu o cenho e, em seguida, fechou os olhos.

- A fräulein tinha razão. Não há mais salvação para pessoas como vocês. - abriu os olhos - vou lhes dar uma última chance de permanecerem com suas vidas miseráveis e sem sentido. Vocês têm cinco segundos para dar meia volta, correrem o mais rápido que puderem e desaparecerem da minha vista, pelo caminho de onde vieram.

Alguns pássaros saíram voando dos galhos onde estavam repousando, espantados, quando os três homens, ao mesmo tempo, romperam em gargalhadas escandalosas.

- Não nos faça rir, gaijin! - escarneceu o líder - acha que pode fazer o que, desarmado e sozinho, conta nós três?

- Ein. - respondeu Hans, simplesmente.

O homem alto e magro cuspiu no chão.

- Dê você meia volta e suma da nossa vista, e talvez o poupemos de ser estirpado. - disse.

- Zwei. - disse Hans.

- Que diabos está falando? - perguntou o homem gordo, dando leves pancadas com seu tacape na palma da mão livre - já sei. Está com tanto medo da gente que começou a rezar - gargalhou ruidosamente.

- Drei.

O líder musculoso deu de ombros.

- Todo mundo é metido a durão hoje em dia. Pois bem, façamos do seu jeito. - girou a gadanha com ambas as mãos, e a posicionou à frente do próprio corpo.

- Vier.

- Botem as tripas dele pra fora do corpo, rapazes! - ladrou o líder.

- Hai, aniki! - responderam os outros dois.

- Fünf. - o olhar de Hans se tornou mais severo.

Antes mesmo dos três bandidos terem a oportunidade de chutar o solo para atacar Hans, os ouvidos do líder foram bombardeados pelos gritos de dor e agonia do homem gordo e do homem magricelo. Virou-se para trás imediatamente, e observou a cena que se desenrolava atrás de si, descrente e estarrecido.

Os dois homens queimavam. De um instante para o outro, tinham se transformado em dois archotes de carne, debatendo-se desesperadamente, guinchando e contorcendo-se no chão, até que a vida se esvaiu de seus corpos, junto com as chamas.

- Mas que infernos foi isso? - os olhos do líder estavam arregalados, e sua voz, que antes transbordava ousadia e imponência, agora só tinha horror e aflição.

- Vocês não valem o ar que respiram. - respondeu calmamente Hans, que até então parecia não ter se movido. - Desperdiçam o oxigênio do planeta pelo simples fato de continuarem vivos. Eu conheço uma melhor utilidade para ele.

O líder saqueador moveu os olhos, da pilha de cinzas e carvão que, há dois minutos atrás, eram seus companheiros, para Hans.

- Quem diabos é você? Que bruxaria é essa?

Só então percebeu que suas roupas começavam a arder também. A gadanha fugiu de sua mão, indo para o chão a seus pés, e as chamas logo migraram, do tecido para a carne. Os gritos de agonia e desespero do homem encheram o ar da pequena clareira. Seu corpo desfaleceu, e ele começou a lutar, futilmente, contra as chamas, em um esforço desesperado de se agarrar à própria vida. Hans olhava para ele com o rosto transformado em mármore. No que pareceu serem os instantes finais do pobre diabo que finalmente estava sendo purificado, resolveu, como um útimo ato de misericórdia, responder parte da sua pergunta. Aproximou-se alguns passos.

- Meu nome é Hans Von Einzbern. E isto não é nenhuma bruxaria.

Quando terminou de falar, o corpo carbonizado e irreconhecível do saqueador já jazia, imóvel, a seus pés, no mesmo estado dos companheiros. Resolveu concluir a resposta, sabendo que seria para ninguém ouvir. Mas fê-lo mesmo assim, pois tinha a sensação de que estava explicando a natureza de sua habilidade, pelo menos, para si mesmo, convencendo-se mais uma vez.

- É Dobra de Fogo.

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