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 - Mundo paralelo - Saint Hinata - ADICIONADO O DEUS ARES

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Lety Chan
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MensagemAssunto: - Mundo paralelo - Saint Hinata - ADICIONADO O DEUS ARES   Sab Mar 26, 2016 12:54 am

Off: Aqui estarão as informações necessárias para a história. O prólogo e os nomes dos principais, sendo que podem haver alterações de acordo com a sua idéia. Tendo em vista o meu julgamento, segue abaixo o que defini, ainda sem qualquer interferência dos criadores, ou seja vocês.
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Éris na mitologia grega, era a deusa da discórdia. Filha dos reis do Olimpo, fora desprezada por sua mãe Hera por não ter muita beleza. Éris então procurou companhia na Via Láctea lar dos titãs e outras deidades a fim de nobres disciplinas, sendo desposada pelo titã Éter, com o qual concebeu catorze filhos. Cada um deles dotado de um poder maligno o que a alcunhou como Mãe dos Males. Éris sempre fora companheira de seus irmãos em questões terrenas, sobretudo de Ares nas batalhas. Corresponde à deusa romana Discórdia. Seu oposto é sua sobrinha Harmonia, correspondente à Concórdia romana.

Fonte.: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89ris


Enredo

Não muito distante da pensão, havia o que muitos dizem, uma abertura temporal em algum lugar na região ao sul, próximo a algumas docas, um local que servia para descarregar mercadorias vinda de outros países. Ali era o que chamavam de buraco negro, pois cada carga que ali chegava, sumia misteriosamente.

Em um passeio breve pela região Lana havia sido atraída para aquele lugar, e adentrando em uma das docas, se viu arrastada por umas mãos que a engoliram em um campo dimensional. Sendo assim todos os Hinatas ao verem a falta da mesma, a seguiram sentindo o seu ki, mas, perderam logo que ela fora tragada para dentro do campo. Com coragem e determinação todos se uniram pela busca dela, que os levou para um mundo paralelo, onde cada um tinha sua vida baseada no Saint Seiya; sem haver qualquer ligação familiar ou amorosa.


História

Éris cansada de viver em ociosidade, passou a observar a vastidão da Terra. Tomada por uma pequena inveja, ela decidiu observar a luta entre Athena e Hades que estaria por recomeçar. "Então é isso? Hades luta pelo domínio da Terra a tanto tempo com essa encarnação de Athena? Mas, que piada." Éris ria em deboche.

O tempo novamente passou, ela visitava o submundo com sua graça. Olhava para todos os lados, e continuava a rir de cada detalhe que lhe passava a frente. Hades estava ocupado demais para dar atenção a intrusa, via Pandora observar através de um espelho de água em uma velha vasilha de barro, Athena preocupada em seu domínio.

"O que vê Pandora?" - Hades se aproximou suavemente de sua "irmã".

"Athena está inquieta, ela sabe que estamos a observando a dias meu senhor." - Ela sorri satisfeita para seu mestre e 'irmão'.

Hades sorri. Ele sabia que desta vez venceria, pois o principal guerreiro de Athena nasceu morto no parto de sua mãe: Pégasus.

"É apenas uma questão de tempo, estamos a três dias nos preparando para isso, ainda não definimos como faremos a emboscada." - Pandora volta seus olhos para água, observando Athena.

"Acalme-se, espere até que ela nos dê uma brecha indo para o litoral solicitar a assistência de meu irmão Poseidon." - Ele debocha.

"Poseidon nunca teve a intenção de ajudá-la, afinal ele também desejou a posse pela Terra?!" - Pandora volta seus olhos com incredulidade para seu mestre.

"Sem o Pégasus, ela está um tanto desesperada. Acredita que ele tenha renascido ao comando de meu irmão." - Ele dá as costas ainda falando.

"Tola! Ele jamais trairia Athena nessas circunstâncias. Isso já sabemos. Mas, seja como for, parece que esta Athena está bastante preocupada com a sua segurança." - Cruza os braços.

"Não Pandora... Sem ele, ela se tornará uma Athena diferente. Mas, ela precisa ter certeza do que fará, antes de tomar uma atitude que a faria lutar contra mim." - Ele caminha em direção a seus aposentos.

"O que o senhor quer dizer com isso?" - Se vira impressionada o questionando.

"Euzinha! Eu matei a mãe de Pégasus! Através da idéia que tivemos, não é Hadezinho? Agora Athena acha que seu prodígio está com o POPO! (Poseidon) Aquela bobinha!"- Éris surge abraçando Hades, e fazendo uma carinha sapeca para Pandora.

Aquela revelação era o suficiente para Pandora se tornar satisfeita. Embora fosse estranho, Pandora os observou conversar a distância, era interessante também, que havia algo a mais por trás disto tudo, por que Éris? Por que Hades resolveu colaborar com a deusa da discórdia? Pandora estava desconfiada de Éris, ainda mais que ela era uma vira-casaca e das boas.


PERSONAGENS

Ficou definido INICIALMENTE assim:

DEUSA

Athena: Lety Chan

OURO

Áries: Ali
Touro: Luna
Gêmeos: Harima
Câncer: Akane
Leão: Mokona
Virgem: Larg
Libra: Xysuke
Escorpião: Lola
Sagitário: Az
Capricórnio: Hikaro
Aquário: May
Peixes: Moe

BRONZE E PRATA

Dragão: Shujji
Cisne: Helena
Andrômeda: Makie
Fênix: Ling

Cobra: Saki

DEUS

Hades: Kuranosuke

Hypnos e Thanatos: Kunisaki

Radamanthis: Zhero

Cão Cerberus: Ishizu

DEUSA E DEUS

Éris: Lana

Ares: Sephiroth

ATENÇÃO: Qualquer mudança que desejarem, por favor, me avisem.
TÊM QUE HAVER A DESCRIÇÃO DOS SEUS GOLPES E OS NOMES QUE DARÃO! ESSA HISTÓRIA É PARA TER MUITA COMÉDIA!


To be continued...

_________________
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Sempre que posso estarei com vocês!

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Última edição por Lety Chan em Seg Abr 04, 2016 11:23 pm, editado 5 vez(es)
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Lana Chan

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MensagemAssunto: Re: - Mundo paralelo - Saint Hinata - ADICIONADO O DEUS ARES   Dom Abr 03, 2016 8:31 pm

A VISITA

Estava um pouco entediada, hoje. Pois, é... Tava lá curtinho uma fossa em casa...
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- Essa tem uma boca muito larga... flower

Quando de repente...




Me veio aquela idéia!
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- Hummm... Delícia de corpinh... OPS! Não era isso... ¬¬ Mas, enfim... Neste dia eu decidi ver o Bofe... Mas, como sempre aquela chata da Pandora anda me observando. O que ela pensa que vou fazer huh??? - Caminhando pelo submundo.

Resolve tirar um tatu do nariz e joga fora acertando a cara DA Cérberusa. nariz
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Que sente aquilo como se fosse um tiro de DOZE!

- CAIN!!! - Acorda.

- Credo! Olha para isso? Grande guarda do Hades...  scratch

Éris dá as costas e segue mundo a dentro. Mas, não percebe que a coisa fofinha, se transformou de raiva por causa do tatu.




Chega arregaçando as duas portas da imensa sala rodeada de chamas azuis do inferno.

- QUERIDOOO CHEGUEEEIII! Mas, que calor dos INFERNOS NÉ PANDORA? - Cutuca a outra.

- Então, ué não vi o Hades ainda?!  Question


Pandora olha na cara de Éris e vê aquela pose de "estou procurando e não vejo" e responde seca fechando um livro, o qual lia em paz sentada a uma grande mesa redonda de pedras.

- Sim Éris, ele está em seus aposentos e DESCANSANDO! ¬¬


- AH! Fala sério? - Cruza os braços se fingindo de incrédula para Pandora. - Logo agora que eu ia trollar a Athena...- Suspira. - Ok! Vou aguardar por aqui... Radhamantis tem feito o que? - Sorri de canto de olho para ela.

Pandora solta um longo suspiro de "não vou conseguir ler este livro conjurador hoje" e responde.

- Cuidar da vida dos outros é a sua tarefa e não minha! Se quiser falar com ele, vá até o local onde ele normalmente fica, como sendo seu dever! - Entrega um mapa para ela.


- Cruzes! Que mau humor hein? - Pega o mapa e sai dali.


TO BE CONTINUED...

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"Sou fiel ao meu coração."
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MensagemAssunto: Re: - Mundo paralelo - Saint Hinata - ADICIONADO O DEUS ARES   Dom Abr 03, 2016 9:32 pm

IDÉIA


Enquanto isso no santuário...


Era uma belíssima manhã de sol. Athena ainda permanecia em seu silêncio ao andar pelo sua respectiva casa santa.

- Um brecha, apenas uma brecha e eu estaria lá sem precisar de ajuda. - Ela falava consigo mesma.

- De novo com a idéia maluca de ir sozinha para ver Poseidon? - A cavaleira de escorpião adentra a casa de Athena e põe na frente dela sem estar de armadura.


- Lola? O que faz aqui? - Não tinha percebido a chegada da mesma.

- Nós duas já discutimos sobre isso! Você não vai sozinha! E mesmo porquê, ninguém sente o cosmo do pégasus! É loucura!

- Diferente de todas as minhas encarnações... - Suspira olhando para ela. - EU NÃO PRECISO DE PROTEÇÃO! - Seu cosmo reverbera intenso causando um estrondo em todo o santuário.

De olhos arregalados Lola se impressiona.

- Eu sei... - Se curva de ante dela como um verdadeiro cavaleiro. - Todos nós já sabemos disso, mas, não pense que está sozinha, pégasus não é o único que pode lutar.

- Perdão... - Ela fica envergonhada e vira o rosto para o lado. - Reúnam-se todos... Preciso passar a minha mensagem... - Olhou distante e pensativa.

- Eles já devem ter recebido sua mensagem... Em todo caso, espero que tenha decidido com sabedoria a escolha que fez. - Se levanta, se curva novamente e sai do grande salão.

To be continued...

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MensagemAssunto: Re: - Mundo paralelo - Saint Hinata - ADICIONADO O DEUS ARES   Ter Abr 05, 2016 12:58 am

- A chegada inesperada -

Ares treinava diariamente sua arte de " espetar " pessoas com a sua lança em uma arena especial que Zeus havia feito para treinar seus soldados, ele queria melhor suas habilidades para aproxima guerra em que pudesse participar. Girando e dando estocadas ao ar, Ares pensava em onde poderia estar sua irmã Éris naquele momento, poderia estar aprontando para Zeus, seu próprio pai, ou fazendo " arte " em algum mundo.

- Melhor parar... - Ele apoia a lança em uns dos pilares da arena e se senta em um dos degraus das escadas. - Preciso saber o que aquela peste está aprontando... Da ultima vez, Hades quase me fatiou ao meio, tanto acerta-la com sua espada... - Suspira .

Ele se levanta enquanto ouvia uns " berros " de fundo:

Èris: - Não tem nada pra fazer nessa budega... Sempre me dizendo o que fazer ... " Faz isso, faz aquilo... " Blerg ! - Mostra a língua para o nada, como se estivesse fazendo o mesmo para Ares - Quer saber... vou la visitar o " Hadisinho e a Panpan " . - Termina enquanto seus " berros " fraquejavam sobre os ecos da arena.

Ares já sabendo da merda toda que podia rolar, se levanta e então, como o anime, "veste" ( Digo vestir, mas todos nós sabemos que a armadura sai de sua caixa e levita até o seu  "Dono" e se colam no corpo... Sozinho.)  sua armadura decidido resolver( ou pelo menos tentar)a situação em que ela podia se meter, mas de uma forma... mais adequada, enquanto sumia caminhando sobre as sombras dos pilares .

- A chegada -


Ares reencarna em seu devido destino, nasce em uma família consideravelmente rica e então cresce para finalmente cumprir sua " Tarefa " . Seu nome era Sephiroth, cabelos longos e brancos voavam sobre o vento que a terra lhe oferecia. Bem treinado em artes da guerra, acaba herdando o que é lhe direito, sua armadura de Ares.
Com xx Anos , decide então, ir até o santuário, avisar a Deusa Athena que ele estava em sua " casa" .
Chegando a casa de Áries, Sephiroth chama a sua armadura e então revela um pouco de seu cosmo, como um aviso, enviando também uma Águia que no qual levava um pergaminho em suas patas dizendo:


- Peço desculpas por chegar sem avisar, mas precisamos... ( Parte ragada By: Águia )

Continua...

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Só o tempo vai dizer se você merece ou não viver a esse mundo... se ele não cumprir esse papel, eu mesmo o farei.
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Xysuke
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MensagemAssunto: Re: - Mundo paralelo - Saint Hinata - ADICIONADO O DEUS ARES   Dom Set 04, 2016 8:48 pm

XYSUKE

- Onii-chan, tem certeza de que está apenas seguindo as ordens do Sifu, sem nenhum interesse pessoal nisso?

A pergunta de May não foi apenas uma indagação casual sem compromisso, para adicionar um pouco de conversa e quebrar a monotonia da caminhada silenciosa. Foi uma provação. Xysuke pôde sentir, apesar de estar caminhando mais à frente, os olhares dela e de Mokona, três ou quatro passos atrás, julgando-o, esperando uma resposta, como um júri que espera que o réu diga alguma coisa para se defender; não apenas isso, mas também espera que o réu diga alguma coisa que eles "aprovem". Em um instante, o jovem rapaz chinês de cabelos cor de fogo era o líder de uma missão de campo, seguido por seus companheiros. No momento seguinte, era um presidiário no corredor da morte, escoltado por dois carrascos.

A cada passo que ele dava nas tábuas cor de ébano daquele cais, fazendo ranger a madeira, a cada segundo que se passava em silêncio, percebia que a situação ficava pior pra ele. Conhecia bem sua irmã caçula; quando algo era alvo de suas indagações, não largava o osso até ficar satisfeita. Cada segundo de demora para responder algo convincente equivaleria, mais tarde, a mais uma hora de incomodações, cobranças, rancores, olhares tortos e desaprovação de Mayara Uchiniwa-ojousama.

Como se estivesse tentando descarregar a tensão na primeira coisa que estivesse ao seu alcance, Xysuke apertou com força o Kali-Yuga na sua mão direita. O pobre bastão mágico vermelho com extremidades amarelas, que não tinha nada a ver com o conflito familiar que acabara de começar, aceitou sua punição em silêncio. Mokona e a espada branca e dourada Krita-Yuga (Soul Calibur em uma de suas várias formas, baseadas na afinidade e perícia do portador) apenas observavam, em silêncio, também aguardando curiosas o que Xysuke tinha a dizer para defender sua honra. Igualmente sintonizados e em harmonia, ao contrário da situação do irmão e do Kali-Yuga quase sendo torcido do avesso em sua mão, estavam May e o cinturão mágico Dvapara-Yuga, uma larga faixa de couro atada firmemente em diagonal no seu tórax. Presa no centro do acessório, flanqueada pelos seios bem desenvolvidos da jovem de cabelos cor de violeta, a grande esmeralda quadrada, que era maior que o punho de um homem adulto, refletia a luz do Sol naquela tarde de poucas nuvens e emitia um brilho verde quase cegante a quem olhasse por muito tempo. Parecia um terceiro olho de May tentando invadir a alma de Xysuke. Talvez até o conseguisse, não fosse o Kali-Yuga o estar protegendo.

O rapaz alcunhado de "O Macaco" suspirou, tentando mandar embora o máximo de estresse que conseguisse através apenas da respiração. Parou, ainda olhando para a frente, para o destino aonde a patrulha estava se dirigindo. Imediatamente, Mokona e May interromperam a marcha também. Faltavam ainda algumas dezenas de metros para chegarem ao local nas docas conhecido popularmente como "Buraco Negro", onde, segundo relatos recebidos pelo templo Ling Sheng Su, haviam ocorrido estranhos desaparecimentos de mercadorias, que nem mesmo a polícia local, detetives, as mikos, sacerdotes, monges e exorcistas das proximidades de Hinata tinham conseguido desvendar. E onde recentemente também tinha ocorrido o desaparecimento de uma pessoa. Não qualquer pessoa. Uma amiga deles.

- Lana-senpai é como uma irmã mais velha para você, não é verdade? - May decidiu esmiuçar mais a pergunta, uma vez que Xysuke estourara o limite de tempo que ela estava disposta a tolerar para receber uma resposta, o que ela julgava ser simples e sem necessidade de muita reflexão. - Desde que soubemos do seu desaparecimento, praticamente ao mesmo tempo em que recebemos a missão dada pelo sifu Kilik, você está diferente. Não tem feito mais piadas nem dado risada de coisas engraçadas e divertidas. Nem ao menos fala mais as obcenidades que sempre foram a sua marca registrada. Não fez nenhum comentário a respeito da forma como estou usando o Dvapara-Yuga, ou de como ele ficou em mim. - concluiu, colocando as mãos nos seios e empurrando-os um na direção do outro, quase fazendo a esmeralda quadrada desaparecer no meio deles.

Alguns marinheiros e carregadores que estavam trabalhando por perto e observando o estranho trio caminhando pelas docas olharam constrangidos para a ação de May. Outros sorriram e estavam apreciando o "show", mas Xysuke olhou torto para eles, e eles rapidamente voltaram aos seus afazeres.

Foi a vez de Mokona descarregar seus sentimentos na sua arma. Se Krita-Yuga tivesse voz, teria guinchado como uma porca prestes a ser abatida enquanto prenha, para se obter bisteca, quando os frios dedos da manopla prateada da armadura feita com magia comprimiram-se e apertaram o cabo da espada, sufocando-o. Era como se a jovem loira de olhos verde-claros, de porte e estatura modestos contrastando com a aparentemente pesada armadura prateada sobre um vestido azul que usava, estivesse tentando simular na empunhadura de sua arma o pescoço da cunhada. Teve vontade de esbofeteá-la, em parte pela desaprovação em relação ao gesto indecente que ela tinha feito em público. Mas a maior parte da raiva que sentiu tinha outro motivo. Mokona olhou para baixo, para a placa de peito de sua armadura de mana. Fechou os olhos e desfranziu o cenho, mudando sua expressão para um misto de tristeza e indignação com as injustiças da vida. Abriu os olhos novamente ao ouvir Xysuke falar.

- Você tem razão, May.

Ele resolveu desistir de confrontar a irmã e se entregar ao seu destino. Sabia que sua irmã caçula podia ser terrivelmente difícil de lidar. Os anos de treinamento rigoroso e exaustivo no templo Ling sheng Su, levando seu corpo, mente e espírito ao limite, eram pouca coisa quando comparados a alguns minutos da sessão de tortura psicológica e emocional que só May, com seus vícios de irmã mais nova, aparentemente adoráveis para quem não a conhecia de perto, porém tóxicos quando fora de controle, era capaz de lhe proporcionar. Deu meia volta, olhou nos olhos da irmã e continuou.

- A missão é importante para mim como qualquer outra dada pelo sifu. Mas Lana-nee é igualmente importante, ou até mais, como pessoa. Isso torna a missão especial desta vez, uma missão mais pessoal, uma vez que envolve um dos nossos. É óbvio que eu esteja preocupado com ela.

May cruzou os braços, fechando o corpo, e ouviu a resposta de Xysuke com o rosto igualmente fechado e frio, o cenho franzido, os olhos fixados no irmão e a respiração aparentemente interrompida. Quando ele terminou de falar e ficou olhando para ela, à espera de sua "sentença", ela se limitou a continuar fitando-o por alguns minutos, como se estivesse decidindo qual seria sua punição, e depois fechou os olhos. Por um instante, Xysuke não acreditou no que pensou estar acontecendo. Tinha virado o jogo, e agora era May que pensava no que dizer. Resolveu aproveitar a oportunidade para encerrar aquela arapuca mental de uma vez por todas, e restaurar a harmonia do time.

- ...da mesma forma como eu ficaria preocupado se, no lugar da Lana-nee, fosse a Mo-chan, a Lety-nee, o Az, o Harima, o Sephiroth, ou qualquer outro dos nossos companheiros. Inclusive você, querida irmazinha.

Xysuke lançou um sorriso caloroso para May, no momento em que ela abriu os olhos novamente. Caminhou até ela e fez um leve afago em sua cabeça, porém forte o bastante para despentear levemente seu cabelo. O gesto, que ele fazia desde que eram pequenos, a deixou sem graça e com as faces levemente coradas, e a fez virar o rosto para o lado. Xysuke tirou a mão e esperou ela dizer alguma coisa...

Silêncio...

Vitória. Ao menos pelos próximos minutos, o que deveria ser suficiente para dar algum progresso à missão. Deu as costas para May e recomeçou a patrulha.

Por favor, não diga mais nada. Por favor, não diga mais nada. Por favor, não diga mais nada.

O único som que ouviu foram os passos de May e Mokona atrás de si, também recomeçando a marcha, ambas em silêncio.

Deus é bondoso.

Desde que se graduara monge no templo Ling Sheng Su, tinha enfrentado e exorcizado centenas de demônios, entidades sobrenaturais ameaçadoras e energias malignas que surgiam para corromper ou se alimentar das almas das pessoas desafortunadas que viviam nas proximidades de locais onde a influência negativa forte, as maldições reais, a instabilidade das energias da natureza e a falta ou fraqueza de fé das pessoas causava pequenas "brechas" que permitiam a passagem, para o nosso plano, de convidados indesejados.

Entretanto, os demônios que sempre foram os mais difíceis de exorcizar não eram os que vinham de um plano exterior para o nosso; mas sim os que já estão em nós há muito tempo. Os demônios provenientes das emoções humanas, mais fortes ou mais fracos dependendo do quão bem ou mal alimentamo-nos. Se algum demônio tomasse forma física, Xysuke poderia simplesmente socá-lo na cara. Se tomasse forma espiritual ou de energia, o Kali-Yuga poderia facilmente absorvê-lo. Mas alguns demônios eram covardes e trapaceiros o suficiente para ter como única forma de manifestação as emoções e os sentimentos das pessoas.

Um desses demônios atendia pelo popular nome de Ciúme. Detentor, desde a aurora da criação, do potencial de destruir completamente a relação entre as pessoas, de tempos em tempos voltava para se apossar de May, uma presa fácil para esse tipo de influência negativa, e trazer o inferno na terra para a vida do irmão. E, ao mesmo tempo em que era um dos demônios mais difíceis de derrotar, era também um dos que voltavam com a maior frequência para perturbar Xysuke. Ele considerou um milagre tê-lo feito se aquietar com pouco esforço dessa vez, comparado aos outros embates que já tiveram em ocasiões passadas. Mal sabia ele que, saindo de cena o demônio do ciúme, outro, ainda mais mortal e perigoso, se apresentaria para fazer suas estripulias, em um timing tão perfeito com a saída do primeiro, que era como se eles tivessem combinado esse revezamento desde o princípio, naquela tarde ensolarada que, mal sabiam os três companheiros, mudaria para sempre seu destino.

Curiosidade. Um demônio ainda mais perigoso, quando fora de controle, capaz de levar sua vítima a fazer, ver, sentir e ouvir coisas que podem levá-la ao arrependimento pelo resto da sua vida.

E, para a desgraça de Xysuke, enquanto o ciúme atacou May, a curiosidade fez de vítima a terceira pessoa do grupo.

A semente havia sido plantada algumas horas antes, quando o casal estava na pensão...

- Uma missão? - Mokona perguntara com hesitação, como se as palavras lhe fossem estranhas, inclinando a cabeça para o lado. Os lisos e suaves fios dourados de seu cabelo dançaram de acordo.

Xysuke enrolara novamente o pergaminho recebido do templo, sem se atrever a olhar nos olhos de Mokona.

- Essa missão é somente minha, uma vez que, das pessoas que moram na pensão, eu sou o único membro oficial do templo. - Falara o tempo todo evitando o olhar de Mokona, para que as palavras não saíssem com mais dificuldade do que já estavam. - entretanto, a Krita-Yuga, que está sob sua tutela, e o Dvapara-Yuga, que, há alguns dias atrás, misteriosamente escolheu May, podem ser necessários para o sucesso dessa missão. Não gosto nem um pouco dessa idéia, mas o sifu me autorizou a levar vocês. Apenas em último caso, se a força dos três itens for necessária. Mas, na verdade, mesmo que eu preferisse não fazê-lo, vocês iriam de qualquer forma...

- Como assim? - Mokona perguntara sem entender.

- Eu não estou autorizado a dar maiores detalhes, Mo-chan, mas...por alguma brincadeira sem graça do destino, ou não, a missão envolve investigar "aquele lugar", onde aconteceu "aquela coisa".

Sua amada fechou e abriu os cintilantes olhos verdes um par de vezes. Fecha, abre. Fecha, abre.

- Aquele lugar....onde....

Ela tinha começado a repetir, mas a voz logo trancara na garganta. Xysuke se lembrava dos brilhantes olhos de esmeralda arregalando-se; olhos de quem compreendia aos poucos ao que aquela descrição vaga se referia. Sua jovem e pequena valquíria levara alguns instantes para processar aquela informação, durante os quais seu peito não se moveu e a boca permaneceu aberta. Por fim, após assimilar a informação, os verdes olhos pareceram recuperar o brilho, ela tinha voltado a piscar e a se lembrar como se respira. Terminara a frase com um tom de voz totalmente diferente de como a começara.

- ...onde Lana-senpai desapareceu.

- Vamos chamar May, eu a vi lá fora estendendo roupas agora há pouco... - dissera Xysuke, sem muita convicção na voz, como se estivesse sendo forçado, contra sua própria vontade, a fazer o que dizia para fazerem. Já não gostava da idéia de envolver Mokona nas potencialmente perigosas missões do templo. Mas Mokona pelo menos era uma guerreira. May nem isso era. Apesar do templo Ling Sheng Su ser familiar a ela, as missões não eram. E era sua irmã caçula, a única família que lhe restara, após a morte da mãe, o abandono do pai e a perda de contato com Tsui, Khan e os demais irmãos.

Xysuke jogou o pergaminho na lareira acesa da sala de estar, queimando papel, tinta e a verdade escrita ali. Em seguida, se dirigiu para a saída. Estava tão concentrado nos próprios pensamentos que não percebera Akamaru vindo na direção contrária, na porta de entrada da pensão, que dava para a rua. Mokona assistira os dois rapazes se chocarem desajeitadamente, e praguejarem um com o outro.

- Itte! Olha por onde anda, pó-de-arroz! - exclamara Xysuke, olhando para cima. Akamaru era quase uma cabeça inteira mais alto que ele.

- Digo o mesmo para você, pica-pau macaco. - respondera o esguio rapaz alto de cabelos lisos dourados e olhos vermelhos como sangue, com sua costumeira calma temperada com desprezo, sem retirar as mãos dos bolsos das calças enquanto olhava para Xysuke com profundo desinteresse. - está tão acostumado a andar em galhos que se esqueceu de como se atravessa uma porta como uma pessoa normal?

- Caso não saiba, portas podem ser atravessadas de ambos os lados, espertalhão.

Os dois ficaram discutindo, e jogaram mais algumas maldições um no outro, até que Xysuke e Mokona se dirigiram para fora, e Akamaru seguira seu caminho para seu quarto.

Desde então, Xysuke quase não falou. Tudo o que Mokona tinha era aquilo. Aquela meia dúzia de palavras vagas, quando ele lhe falou sobre a missão, sem dar maiores detalhes. Por ordens de sifu Kilik, ele era o único que sabia de toda a verdade. Mokona e May caminhavam atrás dele, sem necessariamente seguí-lo; estavam seguindo uma sombra, um borrão, algo que não sabiam bem o que era.

O grupo continuou caminhando, em silêncio, para o local designado na missão. Chegando lá, iriam usar o Kali-Yuga e, Xysuke esperava que não, mas, se fosse necessário, Krita-Yuga e Dvapara-Yuga também, para verificar as energias do lugar, afim de encontrar alguma anomalia que pudesse estar contribuindo para os estranhos desaparecimentos ocorridos.

A escassez de informação era sua inimiga, seu obstáculo. Era como areia em seus olhos, ferrugem em sua lâmina. Como poderia ajudar Xysuke sem saber o que precisava saber, a verdadeira natureza dessa missão de campo? O grupo prosseguiu caminhando em silêncio, se aproximando cada vez mais do "buraco negro". Desaparecimento de objetos. Poderia ser simplesmente obra de um ou mais ladrões ou contrabandistas, talentosos o bastante para deixar virtualmente nenhum rastro, de modo que a coisa parecesse sobrenatural ou de outro mundo aos olhos das pessoas inocentes. Mokona não conhecia muito a respeito do templo Ling Sheng Su; apesar disso, se perguntava desde quando os monges tomavam parte em investigações acerca desse tipo de sinistro, o desaparecimento de objetos, quando, segundo o que Xysuke sempre lhe contou, suas atividades sempre estiveram mais focadas em exorcismo de demônios e forças sobrenaturais malignas, e isso somente em áreas que estivessem sob a jurisdição do templo ou "neutras", e não sob a responsabilidade de outras entidades ou instituições que se sentiriam incomodadas por alguém de fora adentrar "seu quintal", como o templo Hakurei, a Igreja Católica, a Associação de Magia, entre outros. Não. Essa postura por parte do templo não era normal. Havia algo mais por trás disso, algo que só Xysuke sabia. Tudo o que Mokona tinha era aquele breve explicação de antes. Mas não era suficiente. Xysuke havia falado muito pouco, para ela conseguir compreender. Precisaria de mais do que algumas simples palavras vagas para...

Então, Mokona arregalou os olhos e parou de respirar, ao mesmo tempo em que suas pernas se enraizaram ao chão.

Portas podem ser atravessadas de ambos os lados.

Portas. Era tão óbvio. A resposta estava com ela desde o princípio. Como ela não tinha se dado conta antes? Todo aquele tempo viajando com Sakura, Xiao Lang, Fye e Kurogane, utilizando uma das mais conhecidas habilidades entre suas 108, e não tinha percebido algo que, para ela, era tão familiar?

Portas podem ser atravessadas de ambos os lados.

Com menos de 10 palavras, Xysuke havia, intencionalmente ou não, revelado a ela a teoria do templo Ling Sheng Su a respeito dos estranhos desaparecimentos das mercadorias e de Lana.

O "buraco negro" nada mais era do que um portal. E todo portal possui algo de ambos os lados.

A principal preocupação do templo Ling Sheng Su não era o desaparecimento de mercadorias ou mesmo pessoas naquele local misterioso nas docas, mas...

- ...portas podem ser atravessadas de ambos os lados... - repetiu as palavras de Xysuke, finalmente compreendendo o significado profundo que tinham, mais profundo do que ela sequer poderia imaginar.

...mas sim o tipo de "coisa" que poderia estar do outro lado, e que poderia, a qualquer momento, querer atravessar o portal para o nosso plano. Algo completamente desconhecido pelos homens e imprevisível até para as maiores mentes do mundo. Algo para o qual as pessoas do lado de cá poderiam não estar preparadas e, sob um ponto de vista mais pessimista, mas não muito longe da realidade, algo que poderia representar uma ameaça à humanidade e ao mundo. Essa era a verdadeira e aterradora missão colocada sobre as costas de Xysuke. Investigar o estranho local que conectava dois mundos, e proteger a humanidade de...qualquer coisa possível. Proteger o nosso mundo de...

- FLECHAS!

Xysuke gritou para o grupo, ao avistar uma nuvem de setas, de um azul escuro e tenebroso que lembrava a morte, serem disparadas em alta velocidade na direção do trio. A origem do disparo estava alguns metros à frente deles, mas em um plano mais acima, onde não havia nada, somente ar, o que levava a crer que o arqueiro tivesse disparado sua saraivada da morte durante um salto. Mas não havia nenhum arqueiro no campo de visão, no breve instante que Xysuke, Mokona e May tiveram para perceber que eles eram os alvos e que, se não se protegessem, seriam atravessados e mortos brutalmente, como corças sendo caçadas, e a missão estaria perdida naquele momento.

- MURALHA DE YTAR!

Xysuke segurou firme o Kali-Yuga na frente do corpo com as duas mãos, gritou o nome de sua técnica e começou a girá-lo. As duas metades do bastão rodopiavam ferozmente em torno do eixo imaginário formado pelas mãos de Xysuke, na altura do peito e à frente dele, com tamanha força e rapidez que o bastão em si desapareceu, junto com os antebraços de Xysuke, dando lugar a um simples borrão circular vermelho e amarelo, as cores do bastão sagrado. Um escudo refrator vivo e feroz, que fez algumas dezenas de setas serem ricocheteadas para longe, em trajetórias onde não representavam perigo ao grupo.

Algumas flechas passaram longe o bastante da Muralha de Ytar de Xysuke para não terem sua trajetória alterada, e continuaram seguindo para os alvos que estavam mais atrás: Mokona e May.

- SOUL...CALIBUR!

Se Xysuke refratava os projéteis, Mokona os sobrepujava de frente, como um cavaleiro. Ela teve tempo suficiente para erguer a espada espiritual sobre a cabeça, e desferir um golpe de cima para baixo com ambas as mãos, de modo que projetou-se uma rajada de luz amarela na direção contrária à qual as serpentes de aço azul vinham para matá-la. A pequena rajada de alvorada subjugou a escuridão das flechas, evaporando-as como se fossem feitas de algo extremamente sensível à luz.

May era o membro do grupo mais focado em defesa passiva sem agressividade. Apesar de não ser uma guerreira treinada, havia aprendido algumas técnicas por conta própria devido à afinidade que desenvolveu com o Dvapara-Yuga e seu talento natural em entrar facilmente em um estado de plena harmonia com seu item sagrado, tornando-se um só com ele.

- VONTADE DE DEUS!

Ela juntou as mãos, como em uma prece. A esmeralda quadrada no centro do Dvapara-Yuga brilhou intensamente, ao comando da voz de May, e uma parede de pura energia de cor verde esmeralda, semelhante a um escudo de espaço comprimido, foi projetada a 1 metro de distância à sua frente. As flechas se chocavam de frente contra os 9 metros quadrados de defesa mágica e ficavam imóveis, sem atravessar a parede nem cair no chão. Os batimentos cardíacos de May eram sentidos pelo Dvapara-Yuga. Em resposta a isso, pequenos e periódicos impulsos eram percebidos visualmente no escudo de energia, como uma pedra sendo atirada no centro de um lago a cada 1 segundo e meio, causando ondas que se deslocavam do centro para as bordas. May estendeu a palma da mão para frente, com o olhar inexpressivo.

- No fim, será a vontade de Deus que os justos não se machuquem, e que todo o mal que os confronte jaza impotente aos seus pés. Agora, caiam. - disse, abaixando a mão, quando a tempestade de flechas já tinha cessado. O escudo se desfez e as flechas caíram.

Estavam todos vivos.

- Todo mundo bem aí? - perguntou Xysuke, sem olhar para trás, ainda procurando o inimigo e trazendo novamente o Kali-Yuga para sua posição de descanso atrás de suas costas.

- Sim - respondeu Mokona, dispersando a luz amarela da espada com um golpe diagonal de cima para baixo, de dentro para fora, como se estivesse limpando sangue da lâmina.

- Sim, onii-chan. - Respondeu May.

- Quem fez isso? - perguntou Xysuke. - Quem está aí? Apareça, em nome de Ling Sheng Su.

Como que intencionalmente acatando a ordem de Xysuke, três sombras disformes deslocaram-se contra a luz do sol poente, rápidas demais para serem identificadas e distintas. Uma delas vinha do alto; Xysuke supunha ser o "arqueiro" que os atacara; as outras duas saltaram de dentro da água, de cada um dos lados do estreito ancoradouro onde o grupo estava caminhando. Os três vultos aterrissaram nas tábuas a aproximadamente 14 metros à frente deles. Xysuke observou-os por um momento, e sua atenção logo voltou-se ao que estavam vestindo.

- Armaduras... - Disse Xysuke, para ninguém, observando as estranhas vestes de metal das três figuras misteriosas à sua frente. Ver alguém vestido de armadura não deveria ser algo estranho para ele. Mas havia algo naqueles indivíduos, e na vestimenta que usavam, que era diferente de tudo que o jovem monge já tinha presenciado em vida. Apenas uma certeza ele tinha, sobre a natureza daqueles inimigos. - ...cavaleiros...

Sem que ninguém precisasse pedir, os três agressores armados se apresentaram.

- Eu sou Kraisto, do signo do Cruzeiro do Sul - Disse o homem da direita, de olhos e cabelos dourados e semblante feroz, que ostentava uma brilhante armadura vermelha, cujo elmo tinha, encravado na região da testa, algo que se assemelhava a um escudo azul com uma cruz branca entalhada, quase do mesmo tamanho do rosto do homem, de maneira que fazia o elmo se assemelhar a uma coroa - Cavaleiro Fantasma de Sua Graça, a deusa Éris.

- Eu sou Orfeu, do signo de Lira - Imediatamente seguiu o cavaleiro da esquerda, que até então Xysuke pensou se tratar de uma mulher, dada a delicadeza dos traços de seu rosto, seu cabelo comprido que pendia além dos ombros, a harpa que carregava sob o braço esquerdo e o semblante tranquilo e sereno, contrastando com a expressão ameaçadora de Kraisto. A armadura deste era de um suave tom de índigo, seu elmo mais se assemelhava a uma tiara, e seus olhos emitiam um sombrio azul escuro. - Cavaleiro Fantasma de Sua Graça, a deusa Éris.

- Eu sou Maya, do signo de Sagita - Por fim, disse o "arqueiro", localizado ao centro e dois passos à frente dos colegas. Sua armadura era de um azul mais vivo que o da de Orfeu. Seu elmo também tinha o formato de tiara, mas com algo semelhante a um espigão projetando-se para cima a partir do centro. Seus olhos eram de um roxo acinzentado, como se ele fosse cego, e o comprimento do seu cabelo ficava em um meio termo entre Kraisto e Orfeu. Somente três pontos cor-de-rosa impediam sua armadura de ser totalmente azul; um localizado na testa, outro no centro do cinto, e o último, o maior de todos, do lado direito do peitoral, como que para rivalizar com a esmeralda quadrada do Dvapara-Yuga de May. - Cavaleiro Fantasma de Sua Graça, a deusa Éris.

- Cavaleiros fantasmas... - Xysuke repetiu as palavras com incredulidade. Só então percebeu a vibração inquieta do Kali-Yuga em sua mão. O bastão estava reagindo à aura de morte emanada daqueles três cavaleiros, uma reação muito semelhante a quando ele se deparara com fantasmas, zumbis e entidades funestas em missões anteriores. - ...estes homens estão mortos - pensou, convencido de que os corpos deles deviam ser frios como gelo, como cadáveres, sem precisar tocar neles para ter certeza. Orfeu e Kraisto haviam surgido de dentro da água. Entretando, não estavam molhados, o que só confirmou as suas suspeitas, já que fantasmas não se molham. Apesar disso, o tom de voz deles era o de uma pessoa bem viva e saudável.

- Morremos em batalha a serviço da deusa Athena. - disse Maya - Eris-sama nos ressucitou, em troca da nossa lealdade.

Xysuke questionou a natureza dessa "ressurreição", mas não disse nada.

- Sob suas ordens, viemos aqui à procura daqueles que possuem "o cosmo". Pelo visto, os encontramos - seguiu Orfeu.

- Não são cavaleiros, mas o cosmo emanado de vocês não é como o das pessoas normais, fazendo páreo até com os mais fortes entre os 14 filhos da deusa - disse Kraisto.

Xysuke não compreendia.

- De que diabos vocês estão falando? Quem é essa tal de deusa Éris.

Maya respondeu.

- Deusa da discórdia, filha dos reis do Olimpo, e a atual ponta estandarte que irá ditar a direção dos ventos dessa eterna batalha entre Hades e Athena, que está para conhecer um fim de uma vez por todas.

- Guerra entre Hades e Athena? - questionou Mokona.

Kraisto prosseguiu.

- De modo a ser o coringa dessa batalha, Éris-sama necessita de um exército. Por isso, nos enviou para buscar indivíduos promissores neste plano, onde a presença de cosmos poderosos foi sentida por ela.

Orfeu se manifestou logo após.

- Foi mais fácil do que pensávamos. Bastou Éris-sama criar o portal, e nós forjarmos os desaparecimentos que atrairiam a atenção dos "justiceiros deste plano", que vocês viriam até nós sem esforço.

Xysuke sentiu como se tivesse levado um soco nas entranhas.

- O portal... - já nem se importava mais em abrir o jogo com Mokona e May e revelar toda a teoria do templo Ling Sheng Su sobre a natureza do "Buraco Negro" - o portal, e o desaparecimento...de Lana-nee... - pela segunda vez, o Kali-Yuga sentiu pressão suficiente para transformar carvão em diamente. - ...é obra dessa tal deusa Éris?

- Isso mesmo. - respondeu Maya. - E agora, vocês nos acompanharão através dele, até a presença de Sua Graça. Por bem... - estendeu o punho na direção deles. Xysuke sentiu nitidamente como se uma besta carregada com uma flecha estivesse sendo apontada para a sua cabeça e pronta para ser disparada a qualquer momento. - ...ou por mal.

Depois disso, tudo aconteceu tão rápido que pareceu se passar em formato de breves lampejos. No primeiro lampejo, Xysuke lançava um Sokudou Zouka em May, Mokona e em si mesmo, seguido de um Blessing, de alguma forma rápidos o bastante para antecipar a nova saraivada de flechas mortais que Maya lançou sobre o grupo. No lampejo seguinte, o grupo se espalhou o máximo que pôde no espaço limitado do ancoradouro, e, em resposta, os três cavaleiros fantasmas chutaram o mundo para voar na direção deles.

- TROVÃO DO CRUZEIRO DO SUL! - gritou Kraisto, no momento em que todo o seu corpo pareceu se transformar em uma ofuscante centelha brilhante com o formato de uma cruz, e ele projetou-se para a frente, como um relâmpago, escolhendo como seu alvo Mokona.

- Soul...CALIBURRRRRRRRRRR! - gritou em resposta a jovem amazona mágica, lançando a rajada de luz de sua espada, para atingir em cheio o projétil luminoso no qual Kraisto se tornara.

- FLECHAS ENVENENADAS! - Maya, que antes estava mirando sua saraivada da morte nos três Hinata Warriors, agora, se focava somente em May.

- VONTADE DE DEUS! - em resposta, ela ergueu novamente a barreira de energia vinda da jóia do Dvapara-Yuga. As flechas se chocavam conta a parede de força e caíam no chão, enchendo o ar ao redor com ruídos metálicos, quando as flechas começaram a cair umas sobre as outras, nas tábuas do ancoradouro.

- REQUIEM DE CORDAS! - gritou Orfeu. Em seguida, as cordas de sua harpa pareceram criar vida própria e voaram na direção de Xysuke, como se fossem serpentes prestes a picá-lo ou matá-lo por constrição.

Graças à vantagem provida por seu Sokudou Zouka, Xysuke conseguiu ziguezaguear pelo curto corredor de madeira, desviando dos "botes" dados pelas cordas assassinas da harpa de Orfeu. Precisou deixar Mokona e May em suas próprias batalhas, para se focar no inimigo à sua frente, rezando para que elas conseguissem dar conta dos próprios. Não sentia essa insegurança em relação a Mokona; na verdade, tinha mais motivos para se preocupar com Kraisto; chegou a essa conclusão ao se lembrar, por um breve momento, em que época do mês estavam. Entretanto, May era outra história.

- SOUL CHARGE! - gritou Xysuke, sincronizando sua alma com o Kali-Yuga. O bastão foi envolvido em uma espécie de fogo verde, mostrando que a energia vinda da alma de seu portador estava canalizada ali.

Xysuke voou na direção de Orfeu, evitando as cordas que se moviam freneticamente, tentando capturá-lo de frente, do alto e pelos lados. Estava a menos de cinco metros de distância, pronto para transpassar o harpista sem hesitar, quando sentiu as pernas ficarem presas ao chão.

- Gagh! - guinchou, ao olhar para baixo e se surpreender. Algumas cordas da harpa de Orfeu estavam saindo de entre as frestas das tábuas de madeira do ancoradouro, e haviam se enroscado em suas pernas, como serpentes famintas.

Orfeu sorriu.

- Vai nos acompanhar até a deusa Éris, aquele que emana o cosmo da constelação de Libra. Quer queira, quer não.

A denominação estranha que Orfeu lhe dera fez Xysuke perder o foco por meio segundo, o que foi suficiente para que as cordas que atacavam por cima, que até agora tinha conseguido evitar graças à agilidade nas pernas, finalmente o alcançassem, e agora estavam se enroscando em seus braços, tronco e pescoço. Xysuke haviam sido completamente imobilizado.

- Se for necessário, meu Réquiem de Cordas vai quebrar alguns ossos seus, para que você colabore. - disse Orfeu, suavemente, enquanto começava a dedilhar a harpa, arrancando dela uma melodia que, apesar de bela, se tornava terrível e mortal naquela situação.

A pressão que as cordas faziam em seu corpo respondia conforme o volume da melodia de Orfeu aumentava. Um verdadeiro réquiem da morte. Alguns filetes de sangue começaram a brotar de seus braços e pernas. Xysuke cerrou os dentes e segurou o Kali-Yuga com todas as forças para não soltá-lo, enquanto suportava a dor e a pressão, e lutava para pelo menos não se mover na direção que Orfeu queria.

- Você é teimoso. - disse o cavaleiro de Lira, de olhos fechados conduzindo a música. - Pois bem, acho que vou começar pelas suas costas. - abriu os olhos para olhar Xysuke de canto, enquanto sorria mortalmente.

Xysuke sentiu um puxão na corda que envolvia seu dorso e peito, que o obrigou a retesar-se. Orfeu interrompeu a canção e dedilhou uma corda específica, arrancando uma única nota. Xysuke pôde ver o terror se aproximando, na forma de um pequeno ponto luminoso que se conduziu por toda a extensão daquela corda escolhida, desde a harpa de Orfeu até suas costas. Quando aquele brilho da morte chegasse até ele, estaria tudo acabado.

- Droga, não acredito que vai terminar assim. - resfolegou, tentando pensar em alguma coisa nos poucos segundos que tinha, enquanto assistia o pequeno impulso brilhante, que certamente quebraria suas costas, se aproximar a cada instante.

De repente, um milagre aconteceu. O jovem chinês sentiu a pressão das cordas que o prendiam se aliviar de súbito, e quase perdeu o equilíbrio e caiu, ao ficar livre novamente. Orfeu assistira, embasbacado, quando meia dúzia das flechas de Maya passaram voando a centímetros de Xysuke, cortando as cordas.

- Estou livre! - não entendia como, mas, de fato, estava.

- Maya! O que está fazendo? - gritou o harpista, esbravejando com o colega arqueiro, que, há um minuto atrás, estava focado apenas em alvejar May.

- Não fui eu! - respondeu o cavaleiro de Sagita - Veja! - apontou para o local onde estava May.

O monge e o bardo olharam na direção apontada pelo arqueiro.

Havia um pequeno portal posicionado verticalmente, flutuando no ar à frente do escudo de energia erguido pela garota.

- Minhas flechas entraram por ali. - disse Maya - e saíram por ali - apontou para um segundo portal, localizado dois metros para o lado, e com a face voltada para onde estava Xysuke.

- Portais de teletransporte - sussurrou Orfeu.

- Maldita garota! - Maya olhou para May com ira nos olhos, como se mais flechas estivessem prestes a ser disparadas deles, e não dos punhos.

- Não fui eu. - respondeu calmamente a noviça, protegida atrás de sua muralha mágica.

Maya e Orfeu ficaram confusos com a resposta. De fato, May não havia feito nada além de se proteger atrás da Vontade de Deus. Maya não a vira executar nenhum outro movimento, e é pouco provável que uma magia como aquela pudesse ser proferida pela garota apenas pelo pensamento ou pela vontade, sem nenhum momento de preparação, movimento ou proferimento de palavras. Se não havia sido May, e Xysuke estava imobilizado pelo Réquiem de Cordas de Orfeu o tempo todo, só o que restava era...

- Kraisto! - gritaram ambos os cavaleiros fantasmas, ao mesmo tempo em que se viraram para o companheiro, só para vê-lo em estado de agonia, a alguns metros de distância, onde sua breve justa contra Mokona acontecera. Ele estava caído no chão, inconsciente. As partes de sua armadura que não haviam desaparecido estavam retorcidas, quebradas e queimadas. Sua pele apresentava queimaduras de quinto grau em alguns pontos. Seus olhos eram duas esferas brancas sem vida, um braço e uma perna estavam dobrados ao contrário, com fraturas expostas, e quatro costelas haviam emergido de sua caixa toráxica, rompendo carne e pele do peito. O cheiro de sangue e carne queimados logo impregnou o ar ao redor.

- Ele não está morto. - disse calmamente Mokona, com a Soul Calibur em sua mão direita brilhando intensamente, tal como se fosse um segundo Sol, capaz de cegar quem olhasse para a espada por muito tempo. Com a outra mão, ela graciosamente tirou para o lado uma mecha de seu cabelo loiro. Em seguida, pôs a mão livre na cintura e, adorável e inocentemente, fez uma cara de desinteresse para o inimigo abatido, como se a batalha contra o cavaleiro do Cruzeiro do Sul tivesse sido entediante. Dada a sua função, Xysuke não se sentia bem por ver sua amada dessa forma, mas não pôde evitar. Um adorável e assustador demônio de espada na mão, tão mortal quanto belo. Um verdadeiro anjo da morte. Kraisto não tivera um bom dia.

- A garota de armadura fez esses dois portais. - resmungou Maya. - malditos, quem diabos são voc...

- CÓLERA DOS CEM NARUTOKOS! - gritou Xysuke, retomando o assunto que tinha com Orfeu, e pegando-o desprevenido, pois sua atenção continuava voltada para Mokona. Estava usando pela primeira vez a técnica nova que tinha desenvolvido. Através do casamento entre duas técnicas, o Narutoko e a Soul Charge, ele deu origem a uma nova. Fazer a energia do Narutoko ser concentrada no bastão, proporcionando um poder destrutivo até 10 vezes maior que a estocada mais poderosa que conseguiria desferir apenas com a Soul Charge, ou que o Narutoko mais poderoso que conseguisse lançar apenas com os punhos.

O que a luz conseguiu capturar foi apenas uma estocada simples, porém violenta, com o Kali-Yuga, desferida no peito do cavaleiro de Lira. Mas o que este sentiu foram centenas de golpes de bastão em seu corpo e rosto, como se a arma de Xysuke tivesse se multiplicado. A tempestade de estocadas na velocidade da luz, cada um desses golpes tendo a força de um Narutoko, fez pedaços da armadura de Orfeu se desprenderem uns dos outros. Sua harpa foi quebrada em treze pedaços, transformando-se em um emaranhado inútil de metal e cordas, do qual nenhuma melodia jamais seria tirada novamente. Seu corpo foi lançado violentamente para trás, deixando uma trilha de sangue no ar por onde passava.

- Orfeu! - gritou Maya. Estava prestes a correr na direção do companheiro, quando um relâmpago de dor atingiu suas costas. Um corte luminoso de cima para baixo. Mokona havia surgido atrás dele, ágil graças ao Sokudou Zouka de Xysuke. Maya caiu de bruços, sentindo o gosto de sangue na boca. Ao se virar com dificuldade, para ver o que tinha acontecido, tudo o que pôde fazer foi sentir o peso das frias grevas da armadura mágica de Mokona, quando ela lhe deu um pisão no peito, que o fez cuspir sangue, e apontou a espada espiritual, ainda incandescente, para seu rosto.

- Renda-se, cavaleiro. - disse calmamente a descendente de Arturia Pendragon. Havia nobreza e honra em seu tom de voz, e ela olhava para seu inimigo com o rosto desprovido de qualquer emoção. Bela e terrível. O calor e a luz da espada agrediam o rosto de Maya, enegrecendo a pele de sua bochecha e fazendo subir um fino filete de fumaça.

Enquanto isso, Xysuke se aproximou de Orfeu, caminhando tranquilamente. Girou o Kali-Yuga, ainda envolto em chamas verdes devido à Soul Charge, em volta dos punhos, depois em volta do pescoço, passando ao redor das costas, peito e ombros, terminando à frente do corpo com as duas mãos segurando-o.

- Renda-se cavaleiro. - disse Xysuke, segurando o bastão na posição de Ihen, mas com a ponta dianteira fazendo pressão contra o peito de Orfeu.

Em resposta, o belo cavaleiro de Lira apenas sorriu, um sorriso que conseguia demonstrar elegância até mesmo em meio a faixas de sangue descendo pela sua testa e queixo, um cabelo emaranhado e um olho roxo que havia sindo atingido em cheio por uma das estocadas.

- Felizmente, eu tinha um plano de contingência.

Xysuke franziu o cenho tentando entender. Teria o cavaleiro de Lira ficado louco devido às pancadas que levou na cabeça, fortes o bastante para quebrar seu elmo? Mas, antes que pudesse iniciar qualquer pergunta, o guincho de May encheu o ar. Xysuke se virou instintivamente para a irmã. Mokona fez o mesmo. Uma última corda restante da harpa de Orfeu estava comprimindo o pescoço da jovem. O escudo mágico do Dvapara-Yuga se desintegrou imediatamente, como uma vidraça sendo atingida por uma pedrada. May não respirava. Seu rosto estava em agonia, com os olhos cerrados vertendo lágrimas de dor e medo, enquanto tentava retirar a corda do pescoço ao mesmo tempo em que lutava para trazer ar para os pulmões.

- May! - gritou Xysuke, horrorizado.

- Não é a harpa que controla as cordas. É o meu cosmo. Mas não se preocupe, não faço questão de matá-la. Fiz isso só para distrair você. - disse Orfeu, afastando o bastão e levantando-se rapidamente, ignorando a dor cortante em seus músculos e ossos. Posicionou-se atrás de Xysuke e passou os braços por baixo de suas axilas, segurando seus ombros firmemente ao fechá-los. - pelo menos você irá comigo para o Buraco Negro, cavaleiro de Libra. - disse, dando um grande salto em direção à água, levando Xysuke consigo.

- Xy-kun! - gritou Mokona. O semblante frio e impassível do nobre cavaleiro logo deu lugar ao terror e a aflição da namorada em desespero.

- Onii-chan! - guinchou May, mal tendo recuperado a respiração, já livre, de joelhos, com as mãos em volta do pescoço ferido, e lágrimas ainda brotando dos olhos cor de ametista.

Alguns instantes após os dois decolarem, o mundo ficou de ponta cabeça, quando Orfeu virou o corpo, fazendo Xysuke acompanhar o movimento. O mar passou a ser o céu, e eles subiam. Então Xysuke pôde vê-lo, durante um breve momento. A algumas dezenas de metros de suas cabeças, havia um grande círculo negro na superfície da água, revelando sua forma mais e mais, conforme eles se aproximavam com a queda. O Kali-Yuga reagiu às emanações de energia escura daquele portal maligno, vibrando intensamente. Não haviam dúvidas. De uma forma ou de outra, Xysuke havia encontrado o Buraco Negro. Mas não pôde fazer nada para se desvencilhar do abraço da morte de Orfeu, e os dois caíram bem no centro do círculo de trevas. A escuridão engoliu-os e, de repente, Xysuke e Orfeu não estavam mais neste mundo.

...

A ira da deusa o despertou de seu cochilo, e de seu estranho sonho.

- EU NÃO PRECISO DE PROTEÇÃO!

O tremor que assolou toda a extensão do santuário o fez abrir os olhos de súbito. Porém, antes mesmo de pensar em se levantar da sua posição de descanso, recostado em uma das pilastras, sentiu o cosmo que acompanhou aquele tremor e também estendeu-se por todo o santuário, como um manto, e logo percebeu quem tinha causado aquilo.

- De novo, dando piti. - levantou-se tranquilamente - De novo, querendo resolver todos os problemas sozinha.

Apesar dos ventos que traziam presságios de tempos ruins que estavam por vir, a casa de Libra estava silenciosa, serena e pacífica naquela manhã ensolarada. Xysuke não tinha como confirmar, mas acreditava que o restante do santuário (ou pelo menos a maior parte dele) devia se encontrar da mesma forma, se fosse desconsiderado o recente terremoto causado por Sua Graça.

Após se espreguiçar e bocejar ruidosamente, se dirigiu à entrada de sua casa. Ficou ali, com o rosto inexpressivo, observando a extensão do Santuário que era possível ver daquela posição. A armadura de sua constelação cintilava à luz da manhã. Apenas seu elmo não estava equipado, repousando sob o braço direito, enquanto os longos cabelos ruivos encrespados permitiam-se tocar pelo vento e dançar conforme sua música. As doze armas estavam guardadas em seus devidos compartimentos. Desde os tempos antigos, Athena proibia o uso de armas pelos seus cavaleiros. Devido a isso, coube ao guardião da casa de Libra o papel de armeiro, mantendo sob sua tutela cada um dos doze itens que seriam empunhados pelos doze cavaleiros da mais alta casta dos guardiões de Athena.

Ele tinha certeza de que logo um de seus irmãos de armas (talvez Lola, um dos cavaleiros que tinha mais proximidade com Sua Graça) apareceria com alguma mensagem. Mas, até que isso acontecesse, sua obrigação era permanecer em sua casa. Essa era a função principal dos Cavaleiros de Ouro, fora proteger a deusa Athena. Guardar as casas que pontuavam o caminho do santuário até o Grande Salão.

Áries. Touro. Gêmeos. Câncer. Leão. Virgem. Libra. Escorpião. Sagitário. Capricórnio. Aquário. Peixes.

Doze templos intermediários, separando os meros mortais da presença da reincarnação da deusa da sabedoria. O que não significava muita coisa, pois a encarnação atual não gostava da idéia de ficar tão distante das pessoas comuns.

Xysuke tirou alguns minutos para refletir sobre o sonho que tivera. Aquela visão não era novidade para ele. Já era a quinta vez que, durante seu sono, via-se sendo outra pessoa, em outro local, em outra época, e via pessoas próximas de si (Mokona e May) com outra aparência também, e em outro contexto. Nos sonhos, usava uma arma estranha, com um nome mais estranho ainda. E não era um cavaleiro. Era outra coisa qualquer, que não conseguia se lembrar com clareza depois de acordar. Perguntava-se se haveria algum significado naquilo. Não sabia até que ponto sonhos proféticos seriam uma realidade. Talvez no caso de alguém como Sua Graça ou de algum sábio. Mas um simples cavaleiro, ter visões de eventos passados ou futuros, ou mesmo de realidades alternativas, através dos sonhos? Deveria solicitar uma audiência com Sua Graça, para compartilhar com ela essas estranhas visões que tem tido, que pareciam bem reais e palpáveis no momento do sonho, mas, após despertar, ficava difícil puxar da memória, a não ser em forma de borrões de imagens, lampejos e acontecimentos desconexos? Deveria, antes disso, compartilhar com seus colegas? Quem sabe não seria melhor consultar um sábio, cartomante ou mago que pudesse fazer uma interpretação disso?

Era difícil puxar da memória até mesmo os nomes dos inimigos que ele e seus amigos enfrentavam, nesses sonhos. De pouquíssimas coisas se lembrava com clareza. Uma delas era o fato de que o nome da deusa Éris era mencionado todas as vezes. Não sabia dizer até que ponto aquilo era motivo suficiente para levar a sério os sonhos, e considerar requisitar a atenção de Sua Graça para o que poderia não passar de alucinações e devanaeios.

Os minutos se tornaram algumas horas sem que Xysuke percebesse, absorto em suas reflexões. O relógio de fogo do Santuário incandescia, alto e impotente em sua torre, ao lado do conjunto de escadarias que formavam o caminho pelas doze casas, marcando as horas com chamas ao invés de ponteiros, e os símbolos das constelações ao invés de números. De repente, o cavaleiro de Libra sentiu uma das doze armas brilhar um pouco mais intensamente que as demais, e vibrar suavemente. Estava reagindo à proximidade de seu dono de direito. A mente de Xysuke voltou para a casa de Libra. Ele ergueu o rosto e olhou por sobre o ombro, sentindo o cosmo familiar que estava de acordo com a arma que reagira.

- A espada da esquerda. Ou seja... - disse, logo compreendendo quem era que se aproximava.

Virou-se para cumprimentar a visita, sorrindo para ela calorosamente.

- Olá, querida vizinha. Está uma bela manhã, não acha? - saudou-a animadamente - E, pelo visto, já começou bem. Eu senti daqui o tremor, e tenho certeza que o pessoal lá embaixo sentiu o mesmo, e ouviu-a.

- Você está com pequenas olheiras. Andou dormindo no posto de novo? - perguntou Lola, de braços cruzados, olhando para ele com um leve semblante de censura. Ao contrário de Xysuke, ela estava sem a armadura, vestida com roupas civis. Um corpete preto com detalhes vermelhos e um cinto afivelado ao centro acentuava os grande seios. Os braços estavam envolvidos em faixas vermelhas. Um colar que mais parecia um segundo cinto afivelado rodeava-lhe o pescoço. Uma roupa que combinava com os olhos cor de sangue da companheira. O cabelo estava preso em um rabo-de-cavalo. Um visual que, apesar de não deixá-la propriamente uma dama, conferia-lhe mais feminilidade do que a armadura de Escorpião.

- Você me pegou. - colocou a língua para fora e coçou a cabeça. - por favor, não me pique.

- Este escorpião só pica se for provocado. Mas você não precisa que lhe seja lembrado qual é a função dos Cavaleiros de Ouro, precisa?

- Proteger a Deusa Athena e guardar as doze casas. - proferiu as palavras de cabeça baixa, aceitando a repreensão. - não querendo que minha barra seja aliviada por eu dizer isso, mas, se alguém entrasse na casa de Libra, eu sentiria e acordaria na hora.

Lola não podia negar aquele argumento. Da mesma forma que cada cavaleiro de Athena tinha, dentro de si, o cosmo de sua constelação guardiã, bem como sua armadura sagrada, no caso dos Cavaleiros de Ouro, o mesmo podia ser dito de cada uma das doze casas. Ou seja, casa, cavaleiro e armadura compartilhavam de um cosmo comum. O que um sentisse, os outros dois sentiriam também.

- Além disso - Xysuke subitamente ficou sério, deixando de lado o humor descontraído - nas últimas vezes, eu tenho dormido de propósito, não sem querer.

Lola não esperava por aquilo.

- O que está dizendo?

Xysuke acreditou que não haveria problema em começar por Lola, mesmo que, por enquanto fosse somente ela que soubesse.

- Tenho tido visões em meus sonos recentes. Vejo todos nós. Você, Sua Graça, Mokona, May, Harima, Az e os demais. Mas nos meus sonhos, somos pessoas diferentes. Temos outro tipo de vida, em outro lugar, em outra época. Também somos lutadores, mas enfrentamos outro tipo de inimigos. Podem ser apenas devaneios e alucinações. No momento do sonho, parece bem real. Mas, depois que acordo, fico com dificuldade de resgatar com exatidão tudo que se passou. Mas, apesar disso, tenho motivos para crer que há algo nesses sonhos que eu deveria ver, que eu deveria saber, uma mensagem para mim...ou mesmo, para nós.

- Por que você acha isso? - perguntou Lola.

- Um certo nome é proferido nesses sonhos, e isso muda toda a seriedade da questão.

- Qual nome?

- Éris.

Lola ficou em silêncio. Xysuke interpretou que ela estava processando aquela informação. Se havia sentido algo, estava mascarando bem, pois seu rosto não se moveu.

- Ainda não tenho clareza suficiente nesses sonhos para achar que vale a pena solicitar a atenção de Sua Graça para lhe falar sobre isso. Pode acabar sendo só um exagero meu sem fundamento. Só achei que não faria mal compartilhar com alguém. Não pretendo tomar nenhuma atitude no momento. Preciso pensar e organizar as informações em minha mente. Não se incomode muito com isso.

- Não irei. Até porque, tem outra coisa me incomodando neste momento.

- O quê?

- Você se importaria de olhar nos meus olhos quando falasse comigo?

- Do que está falando? Eu estou olhando para os seus olhos.

- Você está olhando para os meus seios. - Lola estava levemente incomodada. Seu rosto tinha apenas a mais suave sugestão de rubor.

Era uma mulher alta. Xysuke precisava erguer a cabeça para olhá-la nos olhos.

- Tem razão. Desculpe. Você não está com a armadura. E seios têm um campo gravitacional próprio em relação aos meus olhos. Quanto maiores, maior é a força de atração. Eu poderia dizer com certeza que é involuntário.

Lola ignorou aquele pedido de desculpas fajuto e finalmente abordou o assunto.

- Sua Graça deseja a presença de todos no Grande Salão. Pedirei a Harima para criar os clones para ocupar nossos lugares. Todos os doze têm autorização expressa de Sua Graça para se dirigir ao local, passando pelas casas, e a obrigação de deixar os companheiros passarem, se necessário. - Lola tinha essa autorização por escrito, com a assinatura de Athena, mas sabia que Xysuke dispensaria sua apresentação. - em assim sendo, solicito passagem pela casa de Libra.

- Concedida. - Xysuke fez um gesto com a mão, indicando que Lola podia se dirigir à casa de Virgem. Respondeu com a mesma formalidade - este irá apresentar-se à glória de Sua Graça imediatamente. 

Entregue a mensagem, ela passou por ele, sem dizer mais nada, e seguiu seu caminho, sem olhar para trás. Ele observou-a descendo as escadas por mais alguns minutos. As ancas se moviam alternadamente, bem delineadas naquela calça de couro, e o rabo-de-cavalo oscilava como o pêndulo de um relógio antigo, logo atrás das costas nuas.

- Muito bem. Vamos subir. - vestiu o elmo, girou sobre os calcanhares e seguiu na direção contrária à de Lola. Sua capa branca segui-o, esvoaçando ao vento.

A subida pelos degraus que intermediavam as casas foi silenciosa e tranquila. Todos os cinco templos acima do seu estavam sem seus guardiões. Ou fizeram o mesmo que ele, apresentando-se imediatamente, ou estavam em missões de campo, dadas diretamente por Athena (só assim para precederem a missão de guardar as casas) e receberiam a mensagem oficialmente depois. Somente de Lola ele sabia. Ela estava entregando a mensagem de Sua Graça aos companheiros restantes.

O Grande Salão estava tão silencioso quanto as casas, apesar de ali haverem duas pessoas: Athena-sama, e May. Nas reuniões que Sua Graça convocava, era comum os doze cavaleiros posicionarem-se em duas colunas de seis, viradas uma de frente para a outra, à frente do pequeno lance de degraus que davam para o trono onde sentava-se a deusa. A amazona de Aquário estava em pé no seu lugar devido, silenciosa e olhando para o vazio, com o elmo de sua armadura repousando sob o braço direito. Xysuke fitou a colega ao aproximar-se. Ela estava em seus sonhos. Eram irmãos, naquele mundo alternativo. Essa era outra das poucas recordações que tinha bem firme em sua mente. O escudo guardado do lado direito da armadura de Libra brilhou e vibrou, quando ele passou por ela, em silêncio. A primeira coisa a fazer era cumprimentar formalmente Sua Graça, que estava inquieta em seu trono, com o olhar apreensivo e mordendo o polegar, só percebendo a presença de Xysuke quando este chegou aos pés da pequena escadaria, retirou o elmo e se ajoelhou, proferindo a saudação de olhos fechados, expressão séria no rosto e cabeça baixa.

- Bondosa é Athena, deusa da sabedoria, da estratégia em batalha, da justiça e da habilidade, e protetora da Terra. Em resposta ao chamado de Sua Graça, este Xysuke, cavaleiro de ouro do signo de Libra, guardião da casa de mesmo nome, apresenta-se e coloca-se às suas ordens.

Após cumprir com as formalidades, ergueu a cabeça e sorriu calorosamente para ela, saudando-a dessa vez mais informal e intimamente, no idioma da terra natal dela.

- Konichiwa...Lety-nee.

May virou o rosto para ele, sem dizer nada nem sair de seu lugar na coluna dos cavaleiros, mas deixando claro que aquela informalidade havia sido inesperada.

- Ok, tenho certeza que todo o santuário já entendeu que você não precisa de proteção. - Xysuke riu. - apesar que isso não muda muito o fato do nosso dever, como cavaleiros, ser esse. Além disso...

Xysuke interrompeu-se e imediatamente ficou sério, levantando-se e dando meia volta. May retesou-se e ficou igualmente em alerta. Aquele cosmo poderoso havia sido sentido por todos. Xysuke não precisou virar-se para verificar Sua Graça, para ter certeza de que ela também sentira.

- Esse cosmo... - sussurrou o cavaleiro de Libra - não pode ser...Ares está no Santuário?

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